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Nove anos do ataque mortal de Israel à flotilha humanitária de liberdade

Imagem do barco de ajuda humanitária, o MV Mavi Marmara, antes de deixar a Turquia, em 2010 [Farhat Jah/Flickr]

Há nove anos, unidades militares especializadas israelenses atacaram uma flotilha de navios que transportava ajuda humanitária e ativistas para Gaza. O assalto ocorreu em águas internacionais, no mar Mediterrâneo. Nove civis foram mortos pelos soldados israelenses.

O quê: Assalto aéreo e marítimo à Flotilha da Liberdade

Quando: 31 de maio de 2010

Onde: Em águas internacionais no mar Mediterrâneo

O que aconteceu?

Uma flotilha de navios – a Flotilha da Liberdade – partiu de Istambul transportando 600 funcionários de ONGs e agentes humanitários de 50 países, além de 10 mil toneladas de ajuda humanitária avaliada em US$ 20 milhões destinados aos palestinos na Faixa de Gaza sitiada. Unidades militares israelenses de elite interceptaram a flotilha em águas internacionais e invadiram o carro-chefe, o MV Mavi Marmara.

O ataque ocorreu às 4h30 da manhã. Apesar de estarem desarmados, alguns dos passageiros resistiram à tentativa israelense de sequestrar seu navio e desviá-lo para um porto em Israel. Durante o tiroteio que se seguiu, as comunicações de rádio foram bloqueadas e todo o contato com o mundo exterior foi cortado já que as autoridades israelenses tentavam esconder o ataque da mídia internacional que acompanhava de longe o progresso da flotilha.

Nove dos ativistas a bordo, oito deles cidadãos turcos, foram mortos a tiros pelos soldados israelenses. Testemunhas oculares disseram que alguns foram baleados várias vezes na cabeça, a curta distância, apesar de uma bandeira branca ter sido levantada. Quase 50 outros civis foram baleados e feridos durante o ataque. Relatos estimam queagentes israelenses atiraram em uma pessoa a cada minuto durante as hostilidades.

O que aconteceu depois?

A flotilha foi levada sob escolta armada para um porto israelense. Os passageiros foram mantidos em instalações de detenção e seus pertences pessoais, incluindo equipamentos eletrônicos e câmeras, foram retirados deles. A maioria foi deportada de Israel; aqueles que eram cidadãos israelenses enfrentaram processos legais adicionais. A ajuda destinada aos palestinos em Gaza foi, supostamente, entregue pelos israelenses.

O ataque foi condenado universalmente e várias investigações foram iniciadas. Uma missão de investigação independente do Conselho de Direitos Humanos da ONU concluiu que a violência usada contra os passageiros a bordo era “desproporcional” e acusou os agentes israelenses de “executar sumariamente” seis passageiros.

As relações entre Israel e Turquia, antes um dos aliados de longo prazo de Tel Aviv, atingiram o nível mais baixo de todos os tempos. A Turquia estipulou uma série de condições antes de retomar as relações diplomáticas com Israel, incluindo um pedido oficial de desculpas israelense pela morte dos cidadãos turcos e indenização de suas famílias. O escritório da promotoria em Ancara abriu uma investigação criminal com possíveis acusações contra políticos israelenses do alto escalão, incluindo Benjamin Netanyahu, acusado de ser responsável por atacar cidadãos turcos e por atos de pirataria em alto mar.

O Tribunal Penal Internacional (TPI) foi solicitado a investigar o ataque à Flotilha da Liberdade, mas o promotor-chefe, Fatou Bensouda, recusou, dizendo que, embora houvesse uma “base razoável” para acreditar que crimes de guerra haviam sido cometidos, o TPI deveria priorizar incidentes de maior escala. Esse revés não impediu famílias e ativistas de procurar maneiras de responsabilizar Israel pelo sequestro da flotilha e pelos assassinatos de seus tripulantes, em particular durante o ataque ao Mavi Marmara.

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