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Declarações da ONU e da UE revelam seu apoio aberto a Israel

O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, comparece à Cerimônia de Transição da Presidência do Grupo dos 77, do Egito para a Palestina, na Sede da ONU em Nova Iorque, Estados Unidos, 15 de janeiro de 2018 [Atılgan Özdil/Agência Anadolu]"

Previsivelmente, os primeiros comentários da ONU sobre o bombardeio israelense à Faixa de Gaza se concentraram mais em um único foguete que atingiu o norte de Tel Aviv do que na violência colonial do estado sionista contra civis palestinos e sua destruição do que resta do território. Da mesma forma, o próprio povo palestino não preocupará o órgão internacional, a menos que haja um crescente número de mortes e imagens de pessoas gravemente feridas espalhadas pelas mídias sociais.

O Secretário-Geral da ONU, Antonio Guterres, conforme nos é dito, está “gravemente preocupado” e, mais uma vez previsivelmente, pediu máxima contenção de “ambos os lados”. No entanto, sua “preocupação” foi formulada assim: “Hoje o disparo de um foguete de Gaza em direção a Israel é uma violação grave e inaceitável”.

Nickolay Mladenov, coordenador Especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, propagou a declaração de Guterres em um tweet em que deplorava o lançamento de um foguete como “absolutamente inaceitável”. Até agora, Mladenov não completou suas preocupações para descrever o bombardeio de Gaza por Israel nos mesmos termos, apesar de suas bombas infligirem infinitamente mais danos. A União Europeia seguiu o exemplo, enfatizando seu “compromisso fundamental com a segurança de Israel”. As vidas e propriedades dos palestinos não significam nada para essas pessoas.

Mesmo quando supostamente se alcançou cessar-fogo, Israel continuou a atacar o território densamente povoado e a fronteira de Gaza foi declarada uma zona militar fechada. É mais do que provável que as instituições internacionais aguardem novas violações antes de solicitar investigações e estudos inúteis e emitir conclusões e recomendações, forçando os palestinos à irrelevância diplomática e permitindo que Israel agravasse a situação humanitária da qual, convenientemente, se eximiu da obrigação política de por fim à colonização.

Desde a Operação Margem Protetora, de 2014, Israel atacou Gaza repetidamente ao ponto de normalizar os ataques aéreos e a comunidade internacional acomodar suas violências e violações de direitos, recusando-se a responder e reagir à altura. Tanto Israel como instituições internacionais, no entanto, precisam de um ponto de referência para justificar tal impunidade. Um foguete, apesar de sua relativa insignificância, quando comparado aos ataques aéreos e bombardeios israelenses, é suficiente para fazer declarações oficiais que começam com preocupação e terminam com a declaração da prioridade da segurança de Israel sobre as vidas dos palestinos.

Uma fonte diplomática não identificada referida pelo Israel National News descartou a possibilidade de uma operação em grande escala e descreveu os reforços ao longo da fronteira nominal de Gaza como “dissuasoras”. Os ataques aéreos, no entanto, devem continuar.

Em consonância com o atual frenesi das eleições gerais em Israel, vários ministros e candidatos, incluindo o ex-chefe de Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Benny Gantz, solicitaram mais ações. Gantz descreveu o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu – que também detém a pasta da defesa – como alguém que “perdeu o controle da segurança”, enquanto o ministro da Economia, Eli Cohen, pediu assassinatos de líderes do Hamas e da Jihad Islâmica. Tudo isso em retaliação a um foguete, como Israel fez o resto do mundo acreditar.

Como um ocupante agressivo, Israel não pode definir suas ações como “retaliação” e “autodefesa”. É um provocador e vem cometendo crimes de guerra desde sua criação em terras palestinas em 1948.

Por que, devemos perguntar, a ONU e a UE estão empenhadas em remover a diferenciação entre possíveis crimes de guerra e a segurança, quando se trata de Israel? Ambas organizações tentam caracterizar sua intenção política como resposta ao foguete que pousou ao norte de Tel Aviv. Mas a ONU e a UE se planejaram estrategicamente às claras para os momentos de poderem declarar sua lealdade e apoio a Israel, sem ter que manter uma ilusória preocupação com os direitos humanos. Mais uma oportunidade para que eles revelassem seu apoio ao estado de ocupação colonial chegou na segunda-feira.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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