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Chefe de grupo de veteranos: Exército israelense “mata primeiro e depois busca justificativas” para ataques a Gaza

2 de setembro de 2026, às 05h30

Israeli soldiers are deployed at Erez border with heavy weapons and military vehicles in Erez, Israel on February 29, 2024. [Mostafa Alkharouf – Anadolu Agency]

O Exército israelense “mata primeiro, depois pensa e tenta encontrar um motivo” para justificar os ataques contra a Faixa de Gaza, afirmou o diretor-executivo do grupo israelense de veteranos Breaking the Silence, segundo a Agência Anadolu.

Em entrevista à France 24, Nadav Weiman afirmou que o Exército e as autoridades israelenses procuram “legitimar retrospectivamente” os ataques, tentando estabelecer vínculos entre as vítimas e o Hamas ou a Jihad Islâmica Palestina depois que os ataques já ocorreram.

“Em casos como o do Hospital Nasser ou dos 15 paramédicos que foram mortos por soldados das FDI (Exército israelense) em Rafah, ou nos ataques aéreos que matam centenas de civis em Gaza… de repente, o porta-voz das FDI no Estado de Israel precisa explicar à comunidade internacional o que fizemos lá e quem eram os alvos do ataque”, afirmou Weiman.

Em 25 de agosto de 2025, um ataque israelense ao Complexo Médico Nasser, no sul da Faixa de Gaza, matou pelo menos 20 palestinos, incluindo pacientes, profissionais de saúde, integrantes da Defesa Civil e equipes de imprensa, enquanto várias outras pessoas ficaram feridas, segundo o Ministério da Saúde do enclave.

Em 23 de março, 15 integrantes das equipes de emergência e da Defesa Civil, protegidos pelo direito internacional, foram mortos pelo Exército israelense em Rafah, no sul de Gaza.

Weiman afirmou que integrantes da inteligência compilam os nomes das pessoas mortas e depois procuram evidências que possam estabelecer uma ligação, como ter um parente associado ao Hamas ou à Jihad Islâmica Palestina, estar próximo de um edifício identificado como pertencente ao Hamas ou ter recebido algum tipo de remuneração da organização no passado.

“Então, as FDI (Exército israelense) tentam construir um caso em torno de determinados indivíduos para dizer que atacamos porque havia membros do Hamas naquele local”, afirmou.

Ele questionou como os militares poderiam ter identificado as vítimas como alvos previamente, especialmente no ataque ao Hospital Nasser, onde, segundo ele, um segundo projétil atingiu o local e matou a maioria das pessoas que estavam ali.

“Isso é algo que fazemos depois de atirar”, afirmou, acusando o Exército pelos ataques mortais. “Primeiro atiramos, matamos e depois pensamos e tentamos encontrar uma razão para explicar por que isso aconteceu.”

“Não acho que o tanque que disparou os projéteis contra o hospital tivesse um livreto com 25 mil membros do Hamas e olhasse foto por foto e dissesse: ‘Ah, há membros do Hamas ali’”, acrescentou.

Weiman afirmou que essa prática não foi exclusiva do incidente no Hospital Nasser e citou os protestos na fronteira de Gaza em 2018, quando mais de 200 palestinos foram mortos pelas forças israelenses.

Em 30 de março de 2018, a Grande Marcha do Retorno e o movimento para romper o cerco começaram com palestinos se reunindo ao longo da barreira entre a Faixa de Gaza e Israel para exigir o direito de retorno dos refugiados palestinos e o fim do bloqueio israelense a Gaza. Os protestos também coincidiram com o aniversário do Dia da Terra. As forças israelenses mataram 215 palestinos.

“Naquela época, era a mesma coisa nos noticiários da noite em Israel: ‘Matamos esta e aquela quantidade de terroristas’”, acrescentou Weiman.

Ele afirmou que o Breaking the Silence recebeu depoimentos de soldados durante a atual guerra em Gaza confirmando que “se atirássemos e matássemos alguém, essa pessoa seria registrada como terrorista”.

Um oficial de operações de um grande batalhão que participou do genocídio em Gaza disse ao grupo que “todas as noites precisava contar o número de palestinos contra os quais haviam atirado e registrar todos eles como terroristas. Não importava se eram civis ou não”, afirmou Weiman, acrescentando que isso acontecia “porque essa é a presunção” dentro do Exército israelense.

Ele também criticou as investigações internas do Exército israelense sobre possíveis irregularidades, afirmando que raramente resultam em responsabilização efetiva.

“Quase nenhuma”, respondeu quando questionado sobre a frequência com que essas investigações resultam em acusações ou medidas disciplinares.

Segundo Weiman, as investigações militares geralmente se concentram em oficiais de baixa patente, em vez de examinar quem “deu a ordem, autorizou as regras de engajamento ou aprovou o número de mortes de civis considerado aceitável como dano colateral”.

Ele afirmou que o foco deveria estar nas políticas adotadas, “e isso é algo que as FDI (Exército israelense) não podem investigar, porque uma situação como essa, em que isso está exposto ao mundo e fora das regulamentações, está obviamente errada”.

“O problema é o que o Estado de Israel e as FDI (Exército israelense) consideram legítimo — quais ordens são aceitáveis, quais são consideradas essenciais — e são esses os pontos que queremos que sejam investigados”, afirmou.

Israel lançou sua ofensiva em Gaza em 8 de outubro de 2023. Mais de 73 mil palestinos foram mortos e mais de 174 mil ficaram feridos, a maioria mulheres e crianças, segundo dados palestinos.

Apesar do cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro de 2025, Israel continua violando o acordo, com ataques que mataram 1.320 palestinos e feriram outros 4.385, a maioria mulheres e crianças, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.