Israel aprovou na quarta-feira a construção de 126 unidades de assentamento ilegal em Jenin, no norte da Cisjordânia, informou a mídia israelense. “Vinte anos após sua evacuação, um plano foi aprovado para construir 126 casas permanentes no assentamento de Sanur”, informou o Canal 12.
A medida representa um novo esforço para expandir a atividade de assentamentos ilegais na área, que havia sido evacuada anteriormente como parte do plano de desengajamento de Israel de 2005.
Sob o governo do ex-primeiro-ministro Ariel Sharon, Israel evacuou seus assentamentos na Faixa de Gaza e em partes da Cisjordânia em 2005, incluindo Sanur, sob um plano unilateral conhecido como “plano de desengajamento”.
Yossi Dagan, chefe do conselho regional que representa os assentamentos no norte da Cisjordânia, disse que Sanur “será reconstruída”.
“O projeto incluirá 126 casas permanentes e, no futuro, se tornará uma cidade em Israel”, acrescentou.
O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, saudou a construção do novo assentamento, chamando-a de “uma mensagem aos inimigos de que estamos aqui para ficar”.
Desde que assumiu o cargo em dezembro de 2022, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu acelerou a atividade de assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, que as Nações Unidas consideram território palestino ocupado.
Na segunda-feira, o grupo israelense anti-assentamentos Paz Agora afirmou que o retorno a Sanur ocorreu após emendas legislativas feitas pelo atual governo ao plano de desengajamento de 2005, permitindo o levantamento das restrições à construção de assentamentos no norte da Cisjordânia.
Segundo o grupo, o ritmo de aprovações e planejamento no caso de Sanur foi excepcional, refletindo a determinação do governo em retomar a atividade de assentamentos em áreas que haviam sido evacuadas há anos.
Anexação de facto
Rawhi Fattouh, presidente do Conselho Nacional Palestino, órgão legislativo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), denunciou a decisão israelense como uma “escalada perigosa” e uma “violação flagrante do direito internacional e das resoluções de legitimidade internacional”.
Em uma declaração na quarta-feira, ele afirmou que as políticas de assentamentos israelenses equivalem a “crimes de guerra” e fazem parte de um plano sistemático de “limpeza étnica” e anexação de facto de terras palestinas, numa tentativa de impor fatos consumados que minam as perspectivas de um Estado palestino independente.
Fattouh alertou que os acontecimentos na Cisjordânia representam um processo de isolamento de cidades e vilas em enclaves fragmentados, juntamente com esforços para enfraquecer a Autoridade Palestina, visando seus recursos financeiros.
Ele apelou à comunidade internacional para que assuma suas responsabilidades legais e morais e tome medidas urgentes para deter as violações israelenses e preservar as chances de uma paz justa.
Cerca de 750 mil ocupantes israelenses vivem em centenas de assentamentos na Cisjordânia ocupada, incluindo aproximadamente 250 mil em Jerusalém Oriental, e realizam ataques diários contra palestinos, segundo fontes palestinas.
Desde o início da guerra genocida israelense contra Gaza, em 8 de outubro de 2023, as forças israelenses e os ocupantes intensificaram os ataques em toda a Cisjordânia, matando mais de 1.100 palestinos e ferindo cerca de 12.000, em meio a alertas de uma possível anexação do território por Israel.







