O Ministério da Educação e do Ensino Superior da Palestina advertiu nesta terça-feira que Israel está mirando sistematicamente o setor educacional em Jerusalém Oriental ocupada com o objetivo de “apagar a identidade nacional”, inclusive por meio da imposição de seu currículo e da proibição de professores de lecionarem nas escolas, segundo a Agência Anadolu.
Na segunda-feira, o Governo da Província de Jerusalém, na Palestina, alertou que, com o início do ano letivo nesta terça-feira, Israel começaria a impor o currículo israelense a mais de 45 mil estudantes palestinos do primeiro e do sétimo ano em escolas administradas pelo município israelense em Jerusalém.
Na terça-feira, várias escolas particulares de Jerusalém, incluindo escolas cristãs, entraram em greve no início do novo ano letivo, em protesto contra a decisão das autoridades israelenses de não emitir autorizações de entrada para professores da Cisjordânia que trabalham nessas instituições.
Em comunicado, o Ministério da Educação e do Ensino Superior da Palestina afirmou que os acontecimentos relacionados às práticas israelenses contra a educação em Jerusalém fazem parte de uma campanha “sistemática e contínua” contra o processo educacional.
O ministério ressaltou que o direito dos estudantes palestinos em Jerusalém à educação e ao estudo do currículo nacional é um “direito inalienável, garantido por convenções e acordos internacionais”.
O ministério afirmou que as autoridades israelenses impediram vários professores e funcionários da área educacional, homens e mulheres, de chegarem às suas escolas, especialmente às escolas cristãs, devido à não renovação de suas autorizações de entrada.
Acrescentou que isso impediu os profissionais da educação de chegarem às escolas, afetando diretamente o início regular do ano letivo.
O ministério afirmou ainda que as medidas israelenses também afetaram escolas administradas pela Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA) e o currículo nacional, além de impedir a construção de edifícios escolares.
O ministério pediu à comunidade internacional que tome medidas urgentes e exerça pressão para interromper essas ações.
O ministério afirmou que continuará acompanhando a questão junto às partes envolvidas e trabalhando para garantir a continuidade regular da educação nas escolas de Jerusalém e proteger o direito dos estudantes palestinos à educação.
Israel exige que palestinos da Cisjordânia obtenham autorizações especiais para entrar em Jerusalém Oriental ocupada, inclusive para trabalho, educação, tratamento médico e culto. A emissão dessas autorizações está sujeita a restrições rigorosas e procedimentos de segurança, e nem todos os solicitantes as recebem.
Desde outubro de 2023, Israel tem dificultado a emissão de autorizações para trabalhadores palestinos da Cisjordânia, incluindo professores, em meio ao genocídio que conduz em Gaza.
Em janeiro de 2026, o Knesset, parlamento de Israel, aprovou uma lei que proíbe a contratação, no sistema educacional israelense, de professores que tenham obtido seus diplomas acadêmicos em instituições vinculadas à Autoridade Palestina.
Segundo uma reportagem anterior do jornal israelense Haaretz, a implementação da lei afeta diretamente a disponibilidade de professores em Jerusalém Oriental ocupada, onde cerca de 6.700 professores trabalham no sistema educacional árabe da cidade. Pelo menos 60% deles possuem diplomas de graduação de instituições acadêmicas palestinas.







