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Guerra em Gaza: Como o Hamas atraiu Israel a uma armadilha letal

A estratégia do Hamas se mostrou mais efetiva do que pensávamos. Israel tem agora uma guerra verdadeira em mãos, em todos os fronts, difícil de ser evitada
Veículo blindado de Israel destruído pela resistência palestina, em meio às ruínas de Rafah, no extremo sul de Gaza, em 5 de julho de 2024 [Salma Kaddoum/Agência Anadolu]

Uma das principais perguntas sobre a operação transfronteiriça do grupo palestino Hamas em 7 de outubro de 2023 permanece sem resposta: O que o Hamas pensou que aconteceria se atacasse Israel naquela escala?

A princípio, eu mesmo comprei a teoria do caos, como segue: uma operação limitada para atingir alvos militares de Israel e tomar reféns de valor estratégico saiu do controle, graças ao inesperado colapso das Brigadas de Gaza, batalhão israelense incumbido de controlar a zona de fronteira. O Hamas esperava que a maioria de seus 1.400 combatentes enviados ao território inimigo fossem mortos. Entretanto, em grande maioria, seus militantes voltaram vivos.

À medida que o Hamas e seus grupos aliados exauriram seus alvos pré-determinados, a euforia tomou conta e os combatentes se depararam com um festival de música que sequer sabiam que existia. A “carnificina” a seguir se tornou, como sugeriu um diplomata do Golfo, “a mãe de todos os erros”.

Todavia, à medida que cada mês desta guerra supera o anterior, tenho menos e menos certeza de que esta teoria é a correta.

Esta tese ganhou tração nos dias seguintes à operação, dado que os aliados regionais do Hamas não conseguiram acompanhar sua deixa. Logo após o ataque, o comandante militar do Hamas, Mohamed Deif, conclamou seus parceiros no “eixo de resistência” a aderir à luta: “Meus irmãos da resistência islâmica no Líbano, Irã, Iêmen, Iraque e Síria, este é o dia em que vossa resistência se une ao povo palestino”, declarou Deif em uma mensagem de áudio pré-gravada.

No entanto, o Hezbollah, por exemplo, não parecia afeito à ideia de entrar em uma guerra cujo momento e as condições jamais escolheu. Assim como as forças israelenses de fronteira, o Hezbollah libanês foi pego de surpresa. Seus combatentes sequer estavam de prontidão nas aldeias próximas à fronteira israelense: “Acordamos com a guerra”, disse um comandante. Claramente, a resposta comedida do Hezbollah não estava nos planos do Hamas.

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Duas semanas se passaram até que Khaled Meshaal, chefe do gabinete político do Hamas na diáspora, agradeceu o Hezbollah por sua resposta até então, muito embora tenha enfatizado que a “luta exigia mais”.

Hassan Nasrallah, secretário-geral do Hezbollah se manteve em silêncio por outras três longas semanas antes de destacar que a operação do Hamas foi “100% palestina em termos de decisão e execução”. Nasrallah insistiu em se abster da responsabilidade: “Essa operação não tem qualquer parte ou decisão tomada por qualquer outra facção do eixo de resistência”.

Seu ponto foi reforçado quando o Supremo Líder do Irã, aiatolá Ali Khamenei, confirmou a Ismail Haniyeh, chefe político do Hamas, que a República Islâmica não interviria diretamente na guerra, embora mantivesse seu apoio “político e moral” ao grupo palestino.

Estávamos agora em meados de novembro e a aparente estratégia do Hamas em deflagrar uma guerra regional parecia cair por terra.

Estouro da manada

Compare essa situação, em novembro, com as palavras e ações do Hezbollah e do Irã meses depois.

À medida que Israel continua a atacar, sob o pretexto de dissuasão, alvos no Líbano, o Hezbollah responde na mesma moeda. O movimento Ansarallah no Iêmen — conhecidos como os rebeldes houthis — entrou na jogada em novembro, ao aplicar um embargo a navios comerciais ligados a Israel no Mar Vermelho.

O ponto de inflexão, contudo, deu-se em abril, quando Israel atacou um complexo da embaixada iraniana em Damasco, resultando na morte do brigadeiro-general Mohammad Reza Zahedi, oficial responsável pelas operações no exterior das Forças al-Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária do Irã.  Outras 15 pessoas morreram, incluindo sete oficiais da Guarda Revolucionária.

O Irã lançou uma resposta sem precedentes: 170 drones, 30 mísseis cruzadores e cerca de 120 mísseis balísticos de grande porte contra alvos estratégicos no território considerado Israel. Alguns dos projéteis atingiram bases militares.

Atravessou-se o rubicão e as trincheiras de uma guerra regional já estavam expostas. A partir de então, seria questão de quando e não se.

Na terça-feira passada, 2 de julho, o chefe da Força Aerospacial da Guarda Revolucionária do Irã, brigadeiro-general Amir Ali Hajizadeh, alegou que seu país está “se coçando” por uma nova oportunidade de retaliação.

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Hoje, o Hezbollah está à beira de uma guerra aberta, após Nasrallah advertiu Israel que centenas de milhares de combatentes estão dispostos a se juntarem a suas fileiras — uma ajuda que o Hezbollah sequer precisou até o momento. O secretário-geral do grupo libanês chegou a ameaçar até mesmo o Chipre, caso o território mediterrâneo seja utilizado por aviões de guerra israelenses.

Bombardeios israelenses em Khiam, no sul do Líbano, em 25 de junho de 2024 [Ramiz Dallah/Agência Anadolu]

Tudo que o Hamas tinha de fazer após 7 de outubro era aguardar, manter a resistência em campo e deixar que a arrogância e a agressão intrínseca de Israel a seus vizinhos transparecessem.

Esta estratégia está funcionando. Mas será que efoi remendada como resultado de um ataque malsucedido, como todos pensavam em 7 de outubro?

Não é o que parece. Vejamos os discursos de Yehya Sinwar, líder do Hamas em Gaza.

Prevendo o futuro

Em dezembro de 2022, no aniversário da fundação do grupo palestino, comentou Sinwar: “Intensificar a resistência em todas as suas formas e fazer com que a ocupação pague o preço pela colonização e seus assentamentos é o único caminho para cumprir as demandas do povo e seus objetivos de libertação e retorno”.

Aqueles que não tomarem a iniciativa hoje se arrependerão amanhã. O crédito irã àqueles que assumirem a vanguarda e se provarem honestos. Não deixem que ninguém os leve novamente ao cenário de brigas e disputas internas. Não há tempo para isso, enquanto a ameaça do fascismo permanecer sobre nossas cabeças.

Meses depois, Sinwar pareceu prever o futuro:

Dentro de meses — em minha própria estimativa não mais do que um ano — imporemos à ocupação uma entre duas escolhas: ou a compelimos a respeitar a lei e as resoluções internacionais, de maneira que se retire da Cisjordânia e Jerusalém, desmantele seus assentamentos, liberte nossos prisioneiros políticos e permita o retorno dos refugiados; ou a colocamos em um estado de contradição com toda a vontade internacional, ao isolá-la de forma sem precedentes, pondo um fim a sua integração com os países da região e do mundo.

É precisamente o que aconteceu. O Estado israelense está isolado internacionalmente como nunca em sua história. De fato, Israel está nas cordas diante das duas principais cortes internacionais — o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) e o Tribunal Penal Internacional (TPI), ambos em Haia — e seus maiores apoiadores — Estados Unidos e Grã-Bretanha — lutam contra a corrente para conter esforços montantes de sanções por todo o mundo.

Sinwar teve seus detratores dentro do Hamas quando emergiu como líder político de Gaza. Sua tentativa de reconciliação com seu ex-colega de escola e de prisão, Mohammed Dahlan, do partido Fatah, caiu como um balão de chumbo.

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Dúvidas contundentes também surgiram sobre a reaproximação do Hamas com o regime sírio de Bashar al-Assad, após a guerra civil no Estado levantino abrir amargas fissuras entre ambas as partes. A facção do Hamas próxima à Turquia não gostou nada dessa reaproximação — incluindo o Irã — e não se constrangeu em demonstrar sua insatisfação.

Parece agora, porém, que a reaproximação fora um componente vital da estratégia de Sinwar para atacar Israel e compelir uma mudança de conjuntura.

Irmãos novamente

A reaproximação entre desgostosos ex-adversários na guerra civil da Síria vai além da prontidão do Hezbollah em permitir que o Hamas lançasse ataques contra o território israelense em sua zona de influência no sul do Líbano.

As Brigadas al-Fajr são o braço armado do al-Jama’a al-Islamiya (JAI) — movimento que representa a Irmandade Muçulmana no Líbano. Por muito tempo, seu contingente foi numericamente insignificante. Ainda hoje, estima-se somente 500 combatentes, embora sua importância vá além dos números e tenha crescido imensuravelmente à medida que Israel multiplicou seus ataques a comandantes de alto escalão do Hezbollah após 7 de outubro.

A declaração de condolências do JAI, emitida após o assassinato de Saleh al-Arouri, comandante do Hamas em Beirute, por meio de um ataque aéreo israelense, reiterou que “o sangue do povo palestino e o sangue do povo libanês se misturaram para concluir juntos seu processo de libertação”.

Quando um comandante de destaque do Hezbollah, Talib Sami Abdallah, foi morto por Israel em Jwaya, no sul do Líbano, em junho, Nasrallah comentou, em seu obituário, como o veterano libanês havia ido ao auxílio dos muçulmanos sunitas na Bósnia. “Aliás, por conta de tamanha conversa sobre supostas divisões entre xiitas e sunitas, devo dizer que os bósnios não são xiitas, que não havia xiitas na Bósnia, quando seu grupo deixou nossas fileiras e permaneceu sob a neve e o frio por anos e anos, longe de casa, para ajudar nossos irmãos”, declarou Nasrallah.

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Houve também encontros de alto perfil, inimagináveis há alguns anos, entre antigos inimigos da guerra civil síria. Nasrallah se reuniu com o chefe do JAI, sheikh Mohammed Taqoush. A rede Al Mayadeen, próxima ao Hezbollah, comentou: “Vale notar que, desde 8 de outubro de 2023, vários combatentes das Brigadas al-Fajr, braço armado do Grupo Islâmico no Líbano, foram mortos devido a sua participação nas operações contra alvos militares israelenses ao longo da fronteira com a Palestina ocupada”.

O novo pacto entre o Hezbollah e a Irmandade Muçulmana no Líbano teve consequências domésticas para a comunidade sunita, que carece de um líder desde a saída de cena do ex-primeiro-ministro Saad Hariri, em 2019.

Na semana passada, quando a Liga Árabe removeu o Hezbollah de sua classificação de “organizações terroristas”, o ex-premiê libanês Fouad Siniora, um sunita tradicional, lamentou: “É preciso parar de presentear o Hezbollah”.

Mudanças tectônicas na região

A cura parcial das fissuras sectárias entre xiitas e sunitas na região — embora não abraçada por uma parcela da população sunita, que não se esquece do que aconteceu na Síria — representa uma mudança tectônica na paisagem política do Oriente Médio.

Israel sempre prosperou por meio de uma política de dividir para conquistar. O Estado ocupante sempre soube também que, caso forças sunitas e xiitas convergissem, sua capacidade de manobra seria restrita. É isso que está ocorrendo no momento, com consequências concretas.

Operações militares na Cisjordânia ocupada costumavam passar despercebidas. Todavia, nos últimos meses, Israel aderiu a jatos combatentes F16 para bombardear campos de refugiados palestinos — algo inédito desde a Segunda Intifada. Em resposta, a resistência nacional amplificou qualitativamente suas ações. De fato, os militantes palestinos, e mesmo civis sob violenta ocupação, passaram a atrair soldados israelenses a armadilhas sofisticadas e letais. Bombas de alta tecnologia à beira de estrada ganharam espaço, de modo semelhante à resposta contra a ocupação militar dos Estados Unidos no Iraque.

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Em Tulkarm, na Cisjordânia ocupada, um soldado israelense foi morto e outros ficaram feridos quando seu veículo blindado explodiu em uma rodovia. A operação foi reivindicada pelas Brigadas al-Quds, braço armado do movimento de Jihad Islâmica, que divulgou as imagens. Dias antes, um soldado israelense foi morto e 16 ficaram feridos por explosivos plantados debaixo de outra estrada em Jenin.

As baixas israelenses na Cisjordânia demonstram tendência de aumento. Conforme o Ministério da Saúde palestino, contudo, ao menos 540 palestinos nativos foram assassinados pelas forças ocupantes desde 7 de outubro, contra 25 israelenses — na maioria, soldados.

Ao que parece, a Autoridade Palestina alertou Israel de que subiu também a escala do contrabando de armas sofisticadas e outros equipamentos da Jordânia à Cisjordânia, de tal forma que os militantes da resistência palestina devem conseguir fabricar seus próprios foguetes dentro de apenas um ano, para participar das operações diretas contra Israel.

Missão cumprida

Mesmo que Sinwar morra amanhã, terá considerado cumprida sua missão na terra.

O palco está montado para uma invasão israelense ao Líbano e uma guerra regional deve levar décadas para acabar.

A estratégia dos Estados Unidos de apoiar incondicionalmente Israel e tentar posteriormente restringir as autoridades ocupantes em uma espécie “abraço de urso” pôs um enorme alvo nas costas de todos os soldados americanos a serviço na região, como explicaram 12 oficiais da gestão do presidente Joe Biden que renunciaram de seus cargos devido às políticas da Casa Branca.

Especialistas de Oriente Médio no Departamento de Estado estão agora em rebelião aberta. Nesta semana, uma segunda carta emergiu contra Biden:

A cobertura diplomática dos Estados Unidos e seu contínuo fluxo de armamentos a Israel garantiu nossa inegável cumplicidade nos assassinatos em massa e na epidemia de fome imposta à população palestina sitiada de Gaza.

A opinião pública do chamado mundo árabe é predominantemente antiamericana. A continuidade das ações israelenses em Gaza causou tamanha indignação e humilhação nos países árabes que parecem soterrar divisões profundas entre forças políticas islâmicas e nacionalistas desencadeadas em resposta aos protestos populares da Primavera Árabe há cerca de 13 anos.

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Há algumas conquistas.

Pesquisa após pesquisa ecoa essa tendência. Em novembro, o Instituto de Washington para Política para o Oriente Próximo descobriu que aproximadamente 40% da amostragem no Egito, Iraque, Jordânia, Líbano, Palestina e Síria compreendem que as ações iranianas na região possuem um impacto positivo na conjuntura em Gaza.

O Barômetro Árabe revelou que o Supremo Líder do Irã superou as taxas regionais de aprovação do príncipe herdeiro e governante de facto da Arábia Saudita, Mohammed Bin Salman, e do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed al-Nahyan.

A mesma coisa ocorreu após a invasão israelense ao Líbano em 2006, embora a diferença hoje esteja na capacidade armada da resistência, muito superior à capacidade de então, e quão mais vulneráveis estão os regimes árabes.

A ironia é que Israel caminhou de muito bom grado à arapuca do Hamas. Caso cedesse aos apelos da Casa Branca e da Organização das Nações Unidas (ONU) para dar fim à guerra — sem, porém, “desmantelar” o Hamas —, teria sofrido uma derrota tática cujas ramificações se restringiriam ao colapso da coalizão de governo de Benjamin Netanyahu. No entanto, caso agisse conforme as aparentes expectativas do Hamas e seguisse com sua agressão em Gaza — sem se importar com o custo humano — provocaria uma guerra regional de tal dimensão que mesmo os Estados Unidos não conseguiriam conter, controlar ou impedir.

É esta a cama que Israel fez a si mesmo. Mesmo que um acordo de cessar-fogo seja assinado em breve entre Hamas e Israel, o entendimento amplo é de que representaria não mais que um refugo, absolutamente provisório, a fim de dar aos reservistas do exército ocupante uma chance de se reordenar para atacar inexoravelmente o território libanês.

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Avigdor Lieberman, adversário político do premiê Netanyahu e implacável detrator de seus aliados fundamentalistas de extrema-direita, considerado um sionista moderado, sugere que o Hamas e o Hezbollah só podem ser derrotados caso Teerã também o seja. Na rede social X (Twitter), argumentou Lieberman: “Nesta confrontação entre Israel e o Eixo do Mal [sic], temos de vencer — sem derrotar o Irã e seu programa nuclear, nem Hamas nem Hezbollah serão derrotados”.

Nos últimos nove meses, neste entremeio, os palestinos de Gaza foram submetidos a um sofrimento incomensurável. A fome imposta pelo cerco militar israelense constitui uma morte ainda mais cruel do que os bombardeios indiscriminados contra a população civil perpetrados pelas forças da ocupação.

O custo dessa abordagem também é altíssimo.

Bombardeios israelenses na Cidade de Gaza, em 6 de julho de 2024 [Dawoud Abo Alkas/Agência Anadolu]

No entanto, sob uma ocupação cada vez mais brutal, cujo único objetivo é exterminar — por meios de morte ou exílio — tantos palestinos quanto possível, a resistência armada sob uma liderança militante que recusa a rendição ou a capitulação na diáspora se tornou uma escolha prevalente entre os palestinos onde quer que vivam.

Trata-se de uma mudança sem igual decorrente de cálculos israelenses ao longo das décadas, voltados a subjugar os palestinos e toda a região, mas cujo tiro aparentemente saiu pela culatra.

Não importa o que aconteça, a estratégia do Hamas já é mais eficaz do que poderíamos ponderar nove meses atrás. Israel tem agora em suas mãos uma guerra de verdade e em todos os fronts. Uma guerra que dificilmente será evitada.

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Publicado originalmente em inglês pela rede Middle East Eye, em 4 de julho de 2024

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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