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Israel declara prontidão para ‘guerra total’ no Líbano, Hezbollah sobe o tom

Bombardeios israelenses em Hiyam, no Líbano, em 19 de junho de 2024 [Ramiz Dallah/Agência Anadolu]

Israel está pronto para uma “guerra total” no Líbano, ao norte, e aprovou planos para operações de larga escala contra o grupo Hezbollah, declarou nesta terça-feira (19) Israel Katz, ministro de Relações Exteriores do regime ocupante, segundo informações da rede Al Jazeera.

Mais cedo, o Hezbollah divulgou um vídeo de drones armados, ao ameaçar retaliação, em meio à troca de disparos com Israel desde outubro. A escalada de tensões contrasta com esforços dos Estados Unidos para evitar um conflito direto na zona de fronteira.

O vídeo de nove minutos mostra a cidade portuária de Haifa, no território considerado Israel — ocupado mediante limpeza étnica durante a Nakba, em 1948. Os drones sobrevoam quarteirões residenciais e áreas militares, incluindo uma fábrica de armas.

Katz registrou sua ira na rede social X (Twitter). “Estamos agora muito, muito próximos de uma decisão para mudar nossas regras contra Hezbollah e o Líbano. Em uma guerra total e aberta, o Hezbollah será destruído e o Líbano será duramente atingido”, ameaçou o chanceler.

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Ori Gordin, chefe do Comando Norte do exército de Israel, que inclui a frente libanesa, destacou ter deferido, neste contexto, planos para uma campanha transfronteiriça. “Como parte de nossa análise situacional, planos operacionais para uma ofensiva no Líbano foram ratificados; decisões serão tomadas conforme a prontidão de nossas tropas em campo”.

Israel mantém ataques contra o sul do Líbano na tentativa de dissuadir o influente grupo pró-Irã de intervir na guerra em Gaza, que já dura oito meses.

Os disparos israelenses incluem munição de fósforo branco — substância química proibida que causa queimaduras graves e destruição ambiental.

Em discurso televisionado nesta quarta-feira (19), o chefe do Hezbollah, Hassan Nasrallah, subiu o tom, ao advertir que suas tropas lutarão “sem normas” caso se deflagre uma guerra aberta, incluindo ao atacar alvos no Mar Mediterrâneo.

Nasrallah ameaçou o Chipre pela primeira vez, ao caracterizá-lo como “parte da guerra”, caso o país continue a permitir que Israel use suas bases e aeroportos para treinamento.

Conforme o líder xiita, a imagem de dissuasão de Israel caiu por terra, incapaz de reagir a todos os fronts, incluindo Iêmen e outros.

Nasrallah anunciou uma estratégia de “cegar o inimigo”, ao atacar equipamentos técnicos, como balões e radares. Além disso, afirmou dispor de enorme volume de informações, como é o caso dos registros de Haifa divulgados na terça-feira.

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“O inimigo sabe muito bem que nos preparamos para o pior”, garantiu Nasrallah. “E não haverá lugar poupado de nossos foguetes. Israel deve nos aguardar por ar, mar e terra”.

Nesta segunda-feira (17), Israel alegou executar um “agente central” da divisão de artilharia do Hezbollah. Na semana anterior, matou Taleb Abdullah, suposto comandante da divisão oeste do front entre a fronteira e o rio Litani.

Mais de 400 pessoas foram mortas no Líbano, incluindo jornalistas e paramédicos. Ao menos 90 mil camponeses foram desabrigados no lado libanês, contra 60 mil colonos no norte israelense — estes abrigados em hotéis pagos por Tel Aviv.

A Casa Branca busca impedir, por vias diplomáticas, uma escalada ainda maior, comentou Amos Hochstein, emissário do governo para o Oriente Médio, em viagem ao Líbano, nesta terça, após passagem por Israel.

“Vemos uma escalada nas últimas semanas”, reconheceu Hochstein. “O que o presidente [Joe] Biden deseja fazer é evitar que uma escalada cada vez maior incorra em guerra aberta”.

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Israel mantém ataques indiscriminados a Gaza há mais de oito meses, deixando 37 mil mortos e 85 mil feridos até então, além de dois milhões de desabrigados.

Israel é réu por genocídio no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), sediado em Haia. Em maio, a promotoria do Tribunal Penal Internacional (TPI) requereu mandados de prisão contra o premiê Benjamin Netanyahu e seu ministro da Defesa, Yoav Gallant.

As ações israelenses são punição coletiva, crime de guerra e genocídio.

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