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Trabalhadores da Apple denunciam empresa por doações a Israel

Parque Apple em Cupertino, Califórnia, em 23 de março de 2024 [Tayfun Coskun/Agência Anadolu]

A multinacional de tecnologia Apple se tornou alvo de críticas de um grupo de funcionários, ex-funcionários e acionistas que reivindicam da empresa que corte doações a organizações ligadas ao genocídio israelense em Gaza e os assentamentos ilegais na Cisjordânia.

Detalhes da disputa foram divulgados pela rede The Intercept.

Em carta aberta, o grupo Apples4Ceasefire reivindica “suspensão e investigação imediatas sobre doações a todas as organizações que aprofundem o problema dos assentamentos ilegais ou que apoiem as Forças de Defesa de Israel [sic]”.

A denúncia dimana do programa de doações empregatício da Apple, que permite a funcionários fazer contribuições a instituições sem fins lucrativos e receber fundos equivalentes da empresa, mediante a plataforma Benevity.

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Dentre as entidades beneficentes autorizadas para obter fundos da Apple estão o Friends of the IDF, que coleta doações em nome de soldados, e numerosas organizações que contribuem para o avanço colonial na Cisjordânia, incluindo HaYovel, Fundo One Israel, Fundo Nacional Judaico e IsraelGives.

A carta, com 133 assinaturas até então, coincide com o aumento de um movimento antiguerra entre trabalhadores da indústria de tecnologia, no contexto do genocídio em Gaza.

As doações a ongs que facilitam a ocupação ilegal da Cisjordânia também passaram a enfrentar escrutínio ainda maior, devido à deterioração das condições na região desde outubro, somadas às denúncias por crimes de guerra, lesa-humanidade e apartheid contra Israel.

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Diante das revelações, o compromisso expresso da Apple à lei internacional, além da Declaração Universal de Direitos Humanos das Nações Unidas, foi posto em dúvida.

Israel é réu por genocídio no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), sediado em Haia. Em maio, a promotoria do Tribunal Penal Internacional (TPI) requereu mandados de prisão contra o premiê Benjamin Netanyahu e seu ministro da Defesa, Yoav Gallant.

O genocídio em Gaza deflagrou protestos globais, conforme apelos do movimento palestino de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) nos moldes da luta antiapartheid, com corporações como McDonald’s e Starbucks submetidas a prejuízos bilionários.

Caso deixe de responder a seus funcionários, a Apple deve entrar na lista de boicote.

Israel mantém ataques a Gaza há mais de oito meses, deixando 37.100 mortos e 84.700 feridos até então, além de dois milhões de desabrigados. Na Cisjordânia, colonos e soldados ampliaram o escopo da violência contra os palestinos nativos, incluindo pogroms a cidades e aldeias.

As ações israelenses são punição coletiva, crime de guerra e genocídio.

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