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Genocídio em Gaza alimenta boom na venda de armamentos testados em campo

Tanques israelenses avançam na fronteira de Gaza, em 30 de maio de 2024 [Mostafa Alkharouf/Agência Anadolu]

O genocídio israelense na Faixa de Gaza sitiada se tornou uma vitrine lucrativa para startups do Estado ocupante. Apesar de apelos por boicote e desinvestimento, que tomaram universidades em todo o mundo, empresas israelenses obtiveram US$1 bilhão em maio, atingido o índice pelo segundo mês consecutivo, revelou a rede de notícias MintPress.

Experts explicaram à reportagem que o emprego de armamentos avançados — incluindo drones kamikaze, metralhadores por inteligência artificial e cães-robô —, desde outubro passado, não apenas devastou o território, como serviu de laboratório a companhias israelenses.

O rótulo de tecnologia “testada em batalha” — isto é, sobre civis palestinos — atraiu mercados de todo o mundo, apesar das numerosas violações da lei internacional, comentou Neve Gordon, professor israelense da Universidade Queen Mary de Londres.

“Esta indústria opera no mercado da morte”, reiterou Gordon. “Portanto, o que nós enxergamos como algo chocante, é para eles animador”.

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A indústria armamentista de Israel é alimentada por investimentos substanciais do governo em startups de tecnologia, além de bilhões de dólares dos Estados Unidos, e envolve setores como segurança, educação e outros, em uma sociedade altamente militarizada.

Jeff Halper, autor de War Against the People (Guerra contra o povo), alerta que o movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) deve dar ênfase a startups de tecnologia que operam eventualmente “mais ou menos sob o radar”.

A reportagem cita algumas empresas cujos produtos são aplicados no assassinado da população palestina em Gaza:

  • XTEND, conhecida por seu drone de combate Wolverine, usado para lançar granadas, invadir casas e supostos túneis e atacar famílias no enclave;
  • SmartShooter, responsável por desenvolver o chamado sistema Smash, que utiliza “visão inteligente” para rastrear alvos em movimento em Gaza;
  • InfiniDome, que produz proteção de GPS e sistemas de navegação a drones armados que patrulham a cerca nominal de Gaza;
  • D-Fend Solutions, que fornece sistemas de tecnologia para supostamente abater drones de grupos como Hezbollah e Hamas;
  • SPEAR UAV, responsável pelo drone kamikaze Viper, projetado para localizar, rastrear e atacar alvos mediante violenta autodestruição.
  • Axon Vision, cujo sistema de monitoramento por inteligência artificial, Edge360, auxilia veículos blindados a realizar ataques em campo contra supostas ameaças;
  • Steadicopter, cujo helicóptero não-tripulado Black Eagle se aplica na vigilância de Gaza;
  • NextVision, que fabrica câmeras para sistemas armados, sobretudo drones produzidos pelas principais fabricantes de armas de Israel;
  • Asio Technologies, cujos diversos sistemas de navegação por inteligência artificial, como a rede óptica AeroGuardian NOCTA e a plataforma Orion, são usados por soldados;
  • Robotican, que desenvolveu o drone Rooster em parceria com o Ministério de Defesa de Israel, empregue junto de cães-robôs Vision 60, da empresa Ghost Robotics, radicada no estado da Filadélfia, nos Estados Unidos;
  • Corsight, que utiliza tecnologia de tecnologia de reconhecimento facial via inteligência artificial, sob prerrogativas racistas, para coletar informações sobre palestinos em Gaza, ao criar um banco de dados de indivíduos sem consentimento.

Israel mantém ataques a Gaza desde 7 de outubro, apesar de uma resolução por cessar-fogo do Conselho de Segurança e medidas cautelares do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), sediado em Haia, para evitar o crime de genocídio e permitir a ajuda humanitária.

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Empresas que auxiliam o genocídio podem ser implicadas no processo de Haia.

A campanha israelense deixou 37.100 mortos e 84.700 feridos até então, sobretudo mulheres e crianças, além de dois milhões de desabrigados.

As ações de Israel em Gaza constituem punição coletiva, crime de guerra e genocídio.

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