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Iraquianos rejeitam novo premiê, invadem o parlamento

Manifestantes invadiram a Zona Verde depois de remover uma série de barreiras de concreto

Milhares de pessoas invadiram o congresso iraquiano, no perímetro de segurança máxima da chamada Zona Verde, na capital Bagdá, para contestar a nomeação de Mohammed al-Sudani como novo primeiro-ministro, sob voto favorável de partidos alinhados a Teerã.

As informações são do Wall Street Journal.

Segundo a imprensa estatal, os manifestantes invadiram a Zona Verde ao remover uma série de barreiras de concreto. Não havia parlamentares no edifício no momento da invasão à área, que abriga instalações do governo e missões diplomáticas.

O atual premiê iraquiano Mustafa al-Kadhimi pediu aos manifestantes que “se retirem imediatamente da Zona Verde”. Al-Kadhimi advertiu que as tropas de segurança estão orientadas a “proteger instituições públicas e missões estrangeiras e impedir qualquer detrimento à lei e à ordem”.

Mahmoud Abdelwahed, correspondente da rede Al Jazeera em Bagdá, constatou que os manifestantes insistem em palavras de ordem contra a “corrupção e políticos corruptos”.

“Eles dizem que o país sofreu por anos com corrupção e má gestão”, relatou Abdelwahed. “Eles dizem que continuarão a protestar pacificamente no perímetro”.

De sua parte, Saleh Muhammad al-Iraqi – líder do movimento sadrista – declarou: “Fico ao lado da reverência e do respeito. Trata-se de uma excepcional mensagem espontânea e popular por reformas, agradeço a todos. Sua segurança, entretanto, é mais importante do que todo o resto. Caso queiram recuar, respeitarei sua decisão”.

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O bloco sadrista venceu 73 dos 329 assentos do parlamento iraquiano nas eleições de outubro de 2021, tornando-se a maior coligação na câmara legislativa. Desde então, todavia, conversas para compor um novo governo permanecem sob impasse, ao passo que a ala sadrista afastou-se do processo político.

Após o discurso de al-Iraqi, não obstante, alguns manifestantes começaram a deixar o parlamento, reportou a imprensa estatal.

Na segunda-feira (25), o chamado Quadro de Coordenação – coalizão de partidos xiitas ligados a Teerã – escolheu al-Sudani como novo premiê.

O parlamento iraquiano deve realizar uma nova sessão em alguns dias, para eleger também um novo presidente, dentre 25 candidatos. Trata-se de um passo necessário para empossar o novo primeiro-ministro e seu subsequente gabinete de governo.

A escolha de al-Sudani deve ser deferida pelo congresso, após a retirada do bloco de al-Sadr.

Al-Sudani é visto como correligionário do ex-premiê Nouri al-Maliki, assim como cofundador da Coalizão Estado de Direito, pela qual foi eleito três vezes ao parlamento. Al-Maliki é suspeito de diversos casos de corrupção.

Para assumir o cargo de primeiro-ministro, al-Sudani precisa de 165 votos favoráveis dentre os 329 deputados

iraquianos.

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