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Sem eletricidade, aldeias palestinas aprendem a viver com energia solar

Painéis solares em 25 de fevereiro de 2018 [Jaafar Ashtiyeh/AFP via Getty Images]

Sem acesso a serviços essenciais, vivendo em cavernas após sucessivas demolições de suas casas e agressões cometidas por colonos israelenses, sob restrições rigorosas impostas por soldados, os residentes de Khirbet Tana, aldeia situada na Cisjordânia ocupada, tiveram de aprender a suprir suas demandas por meio de recursos renováveis.

As informações são da agência de notícias Anadolu.

Bassam Khatatbeh e sua família, incluindo nove crianças, vivem hoje em uma caverna precária na região, a 18 km da cidade de Nablus, após sua residência ser devastada reiteradamente por autoridades da ocupação.

A família, não obstante, tornou-se um exemplo a ser rememorado no Dia Internacional de Energia Sustentável, nesta quarta-feira (22).

Khatatbeh adotou painéis solares para iluminar sua casa e carregar celulares, diante da falta deliberada e sistêmica de energia elétrica e suprimento de água.

A crise elétrica em Gaza [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

A crise elétrica em Gaza [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

“Nosso painel, contudo, não fornece energia suficiente a outros aparelhos, como geladeira ou máquina de lavar, então vivemos sem eles”, declarou Khatatbeh à agência Anadolu.

Segundo os residentes palestinos, autoridades israelenses tentam privá-los até mesmo de utilizar tais painéis. A aldeia está na chamada Área C, que equivale a 61% da Cisjordânia e permanece sob controle militar e administrativo da ocupação.

Israel impede qualquer desenvolvimento ou construção de estruturas palestinas na área, além de recorrer a tratores para destruir casas e instalações básicas.

Há apenas quatro meses, colonos armados invadiram Khirbet Tana e danificaram os painéis. “Eles atiraram nos painéis e ficamos muito tempo no escuro. Quando um oficial do exército finalmente veio, não fez nada senão proteger os colonos”, relatou Khatatbeh.

Painéis solares são bastante custosos na Cisjordânia ocupada. Os residentes da aldeia não podem arcar com um sistema completo capaz de fornecer energia a suas casas.

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Khatatbeh e seus filhos dormem ao relento para proteger os painéis arduamente adquiridos. “Esperamos ataques de colonos a qualquer momento, sobretudo à noite. Durmo do lado de fora para proteger minha família, mas não poderei fazê-lo durante o inverno”.

Enquanto isso, o assentamento exclusivamente judaico de Itamar, adjacente à aldeia, expande seu território à medida que colonos sob escolta militar expropriam terras, animais e mesmo os painéis instalados pelos palestinos carentes.

“Minha caverna, minhas ovelhas e meu filhos foram agredidos diversas vezes”, acrescentou Khatatbeh. “Eles atiraram e mataram muitas das minhas ovelhas; meus filhos foram presos brevemente algumas vezes. Na sexta-feira, colonos atacaram nossos jovens com rifles”.

As famílias dependem da agricultura de subsistência e pequenos rebanhos para sobreviver.

Em 2016, a Suprema Corte de Israel ordenou a interrupção de esforços de desenvolvimento dos residentes palestinos, assim como a suspensão de demolições conduzidas pelas forças sionistas; as destruições, no entanto, continuaram.

Os residentes enfrentam também ataques sempre que tentam recorrer a duas fontes de água natural. Os colonos querem expropriar os recursos para transformá-los em uma piscina de uso exclusivamente judaico. “Caso isso ocorra, não teremos mais água”, destacou Khatatbeh.

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