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‘Ninguém ousa nos pedir para abandonar a Palestina’, afirma Maduro

Presidente da Venezuela Nicolás Maduro [Nicolás Maduro/twitter]

Sob a presidência de Hugo Chávez, entre 1999 e 2013, e seu sucessor imediato Nicolás Maduro, a Venezuela tornou-se eloquente apoiadora da causa palestina. Em 2009, tornou-se o primeiro país latino-americano a reconhecer o Estado da Palestina, com suas fronteiras nominais de 1967. No mesmo ano, estabeleceu laços diplomáticos com a Autoridade Palestina (AP), que confirmou a abertura de uma embaixada própria na cidade de Caracas. Desde então, este relacionamento continua próximo, ao passo que Maduro preservou seu apoio à causa palestina na Organização das Nações Unidas (ONU).

Caracas e Ramallah também instituíram relações comerciais, incluindo petróleo, assistência emergencial e bolsas para jovens palestinos estudarem medicina no exterior. A Venezuela foi o primeiro país a revogar a necessidade de visto de viagem a cidadãos palestinos, assim como a conceder direitos de residência sem obstáculos institucionais. Segundo Maduro, seu governo gostaria de “dar mais” ao povo palestino — seu apoio é contundente e material.

“Ninguém ousa nos pedir para abandonar a Palestina”, declarou o presidente durante entrevista com a rede Al Mayadeen, transmitida pela televisão estatal da Venezuela. “Não podemos aceitar tais demandas. É um pecado sequer pensar em abandonar os palestinos”. Na mesma ocasião, Maduro insistiu ainda que a Palestina é terra sagrada de toda a humanidade e condenou os crimes da ocupação israelense e seu projeto de assentamentos coloniais. “Ouvimos o nome ‘Palestina’ alto e claro”, enfatizou.

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Dentre os crimes citados, está a situação no bairro palestino de Sheikh Jarrah, em Jerusalém ocupada, e a ofensiva militar israelense contra a Faixa de Gaza, em maio do último ano. “Os crimes da ocupação, seus abusos e violações são indescritíveis e incomparáveis no mundo”.

‘A Palestina clama por socorro’, afirma Presidente da Venezuela Nicolás Maduro

O presidente venezuelano manifestou também sua convicção de que a Palestina merece apoio destemido e resoluto dos líderes globais, a quem abordou diretamente: “A Palestina clama por socorro; a Palestina pede seu apoio; crimes são cometidos contra a Palestina cotidianamente e seus jovens são assassinados dia após dia”.

A Venezuela costuma ser pioneira em condenar as agressões a Gaza. Durante os massacres de 2014, Maduro “condenou vigorosamente a resposta militar injusta e desproporcional pelo estado ilegal de Israel contra o heróico povo palestino”. Após os bombardeios entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, Chávez rompeu laços diplomáticos com a ocupação e fechou a embaixada israelense em Caracas, ao expulsar seus representantes diplomáticos.

Comunidade palestina na Venezuela agradece apoio do Presidente Nicolás Maduro

Em entrevista ao MEMO, o deputado Julio Chávez corroborou as declarações de Maduro: “Confirmamos o apoio resoluto e irrestrito da Venezuela à luta do povo palestino … É assim há 21 anos, quando o Supremo Líder Hugo Chávez chegou à presidência”. O parlamentar reiterou ainda que o direito à autodeterminação é um “direito fundamental do povo palestino”.

Cerca de 15 mil palestinos vivem na Venezuela, a maioria em Valencia e na capital Caracas. Apesar dos desafios enfrentados com idioma, cultura e costumes, os imigrantes foram muito bem integrados à sociedade venezuelana. De fato, a comunidade apoiou a presidência durante a última crise política imposta a Maduro, ao condenar a “tentativa de golpe” e rejeitar a ingerência dos Estados Unidos nos assuntos internos do país latino-americano.

A distância geográfica pode limitar o conhecimento palestino sobre seus apoiadores na América Latina. No entanto, podem ficar seguros sobre tamanha solidariedade — sólida e verdadeira.

“Saudamos aqueles que resistem há décadas de cerco e opressão com dignidade e determinação”, tuitou Maduro no Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino, em 29 de novembro. “Da Venezuela, reafirmamos nosso apoio a sua nobre e justa causa”.

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As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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