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Segundo oficial militar iraniano, negociação é a única maneira de os sauditas encerrarem a guerra no Iêmen

Um homem caminha sobre os escombros de uma casa atingida por ataques aéreos perpetrados por aviões de guerra da coalizão liderada pelos sauditas, em 28 de julho de 2019, em Sana'a, Iêmen [Mohammed Hamoud/Getty Images]

O assistente para assuntos operacionais da Guarda Revolucionária Iraniana, Abbas Neil Foroshan, disse que os sauditas não têm escolha a não ser negociar o fim da guerra do Iêmen, observando que “a maneira mais sábia é chegar a um acordo pacífico”.

Em entrevista à Agência Tasnim iraniana publicada na terça-feira, Foroshan disse que a “resistência iemenita” se desenvolveu militarmente o suficiente, com referência aos houthis que Teerã apóia no Iêmen.

“O inimigo não pode derrotar a frente de resistência iemenita”, acrescentou.

Durante semanas, aumentaram as indicações de que a Arábia Saudita e o Irã fizeram progressos no sentido de normalizar suas relações, cortadas há mais de cinco anos, e de amenizar o confronto entre eles.

Autoridades sauditas e iranianas mantiveram rodadas de negociações em Bagdá nos últimos meses, e os dois lados recentemente falaram positivamente sobre essas negociações, a última das quais foi realizada em 21 de setembro, enquanto outra rodada deve ser realizada em breve.

Na quarta-feira, a Agência Bloomberg citou duas fontes bem-informadas, dizendo que o Irã pediu à Arábia Saudita para reabrir consulados e restabelecer relações diplomáticas, como um prelúdio para o fim da guerra no Iêmen.

A Bloomberg relatou que, enquanto as potências mundiais pressionavam por negociações para reviver o acordo nuclear com o Irã, a República Islâmica manteve discretamente quatro rodadas de discussões com o objetivo de aliviar anos de tensões com a Arábia Saudita. O foco estava no Iêmen.

A respeito de Israel, o oficial militar iraniano disse que não há necessidade de mobilização militar para destruir Israel, acrescentando: “Desferimos um golpe nas redes terroristas israelenses na região”.

Foroshan também mencionou “a presença israelense nas fronteiras do Azerbaijão”, dizendo: “Declaramos que abrigar nossos inimigos em países vizinhos é absolutamente inaceitável para nós e devemos defender nossa segurança. A nova estratégia implementada pelas forças terrestres da Guarda Revolucionária no noroeste faz parte da defesa da segurança interna”.

LEIA: 74 mil iemenitas foram deslocados neste ano, alerta OIM

As relações recentemente ficaram tensas entre o Irã e o Azerbaijão, quando o Irã disse que o Azerbaijão permite a presença do exército israelense perto da fronteira iraniano-azerbaijana.

Com relação ao Afeganistão, Foroshan disse: “Os americanos estão transferindo líderes do ISIS para o Afeganistão e administrando-o sob sua supervisão”. Ele acrescentou: “No futuro, todas as potências da região terão que cooperar e formar uma aliança com a República Islâmica do Irã”.

Foroshan viu que os americanos perderam as ferramentas para impor sua hegemonia na região e estão em busca de ferramentas e pessoas que possam desempenhar esse papel por eles na região. “Os americanos deveriam tentar fugir de suas bases na área novamente no último minuto ou escolher a retirada tática apropriada”, disse ele.

“Quer os americanos gostem quer não, nossa região está em um estágio de transição de um estado geopolítico apropriado para os americanos para um novo estado geoeconômico, e os sinais disso são bastante claros”, disse ele à agência Tasnim.

Ele continuou: “Os EUA usaram todas as suas capacidades e recursos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para lutar contra o povo afegão e gastaram bilhões de dólares; parece lógico sair de uma vez e voluntariamente deste país e perder sua maior base na região após 20 anos de combates no Afeganistão? A ocupação do Afeganistão não foi apenas uma ocupação de um país, foi uma base importante para a presença americana na região”.

Acrescentou, ainda, que é importante atentar para qual é o seu plano alternativo, lembrando que os americanos certamente estão em busca de novas soluções e seu único objetivo é preservar a entidade de Israel.

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