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Egito constrói maior penitenciária de sua história moderna

Nova penitenciária do Egito, em Wadi Natroun [WeRecordAR/Twitter]

A ong de direitos humanos We Record confirmou que o Egito construiu recentemente a maior penitenciária de sua história moderna, como indício de que o presidente e general Abdel Fattah el-Sisi prevê levantes populares ou mesmo outra revolução no futuro próximo.

Ao analisar postagens nas redes sociais, vídeos e imagens de satélite, a We Record concluiu que o complexo carcerário foi construído em Wadi Natroun, na província de Beheira, com capacidade de 34 mil prisioneiros — número que pode dobrar com a superlotação das celas.

Segundo as informações, a enorme penitenciária possui um hospital próprio, tribunais, escritórios de inteligência e diversas alas internas. Há ainda mesquitas, estufas e instalações identificadas como potenciais celas de confinamento solitário.

“A capacidade da prisão e a forma como foi construída não apontam qualquer melhoria no campo de direitos humanos no Egito”, reiterou Haitham Ghoniem, chefe da Unidade de Investigações de Acesso Aberto e cofundador da organização We Record.

“O regime alega ser estável econômica e politicamente, mas ainda assim constrói novas prisões”, acrescentou Ghoniem em entrevista ao MEMO.

LEIA: Grupo de direitos humanos condena novas sentenças de morte em massa do Egito

De fato, a construção do complexo sugere que Sisi prevê um período ainda mais tumultuoso para seu regime e prepara ainda maior repressão contra eventuais críticos.

“Caso ocorra uma nova revolução, Sisi deve estar pronto”, insistiu Ghoniem.

Desde o golpe militar de 2013, as prisões do Egito permanecem repletas de dissidentes, a maioria por denunciar graves abusos de direitos humanos em seu país.

Em 2016, a Rede Árabe por Informação de Direitos Humanos reportou que o Egito construiu 13 novas penitenciárias em apenas três anos, para abrigar milhares de prisioneiros políticos em meio à sua dura campanha de repressão.

Muitos dos presos são mantidos em custódia sem qualquer julgamento, apesar do prazo constitucional de dois anos para “prisão preventiva”. As cortes aparelhadas por Sisi tendem a reciclar acusações para prorrogar a detenção indefinidamente.

Muitos morrem lentamente devido à negativa sistêmica sobre quaisquer cuidados de saúde, em celas superlotadas, com pouca ventilação ou luz do sol e comida insuficiente.

Mais recentemente, uma onda de suicídios ou tentativas de suicídio tomou conta das prisões, agravada por restrições ou mesmo proibições de visitas familiares.

O Comitê por Justiça, sediado em Genebra, também denunciou execuções em massa contra prisioneiros políticos no Egito, embasadas em sentenças frágeis ou parciais.

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