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Documentos revelam políticos britânicos envolvidos em plano secreto para colocar chefe de polícia dos Emirados Árabes como chefe da Interpol

Chefe de polícia dos Emirados Árabes, major general Ahmed Naser Al-Raisi (esq.) [Wikipedia]
Chefe de polícia dos Emirados Árabes, major general Ahmed Naser Al-Raisi (esq.) [Wikipedia]

Quatro ex-ministros britânicos foram descobertos envolvidos em um plano secreto para colocar os Emirados Árabes e seu chefe de polícia como chefe da Interpol, segundo documentos que vazaram ontem.

No ano passado, o chefe da polícia dos Emirados Árabes, major general Ahmed Naser Al-Raisi, foi indicado como candidato para liderar a organização de policiamento internacional, gerando críticas devido às alegações de tortura de detidos e seu histórico precário de direitos humanos.

O jornal britânico Daily Mail, no entanto, informou que viu documentos vazados do planejamento da firma de lobby britânica Project Associates (PA) de uma campanha secreta para obter a indicação de Al Raisi.

Os documentos revelam ainda que quatro figuras políticas britânicas participaram dessa campanha, consistindo do ex-secretário de defesa Sir Michael Fallon, o ex-ministro das Relações Exteriores Alistair Burt, o ex-parlamentar Sir Richard Ottoway e a ex-ministra do Gabinete do Trabalho Baronesa Catherine Ashton.

De acordo com um porta-voz da firma de lobby PA que falou ao jornal, os documentos vazados eram “uma proposta que expõe uma série de atividades potenciais, muitas das quais não ocorreram devido a mudanças nas circunstâncias”. Essas circunstâncias, foi relatado, incluíam as restrições de viagens causadas pela pandemia de covid-19 em andamento.

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O porta-voz explicou que os ex-ministros não estavam ativamente envolvidos na campanha para a nomeação de al-Raisi, mas estavam simplesmente “dentro da rede da AP” e disponíveis “para estender a mão em tal campanha, se apropriado”.

Embora o cargo de presidente da Interpol seja decidido nas próximas semanas, essa não é a primeira vez que os Emirados Árabes aumentam intencionalmente sua influência dentro da Interpol. Já em 2017, Abu Dhabi foi acusado de tentar “comprar” influência na organização através de uma contribuição direta de 50 milhões de euros.

O vazamento dos documentos e as implicações da campanha de al-Raisi acontecem uma semana depois que a Síria – um aliado regional dos Emirados Árabes, por coincidência – teve seu banimento da Interpol suspenso pela organização e também teve acesso direto à sua rede de policiamento internacional.

Se al-Raisi ganhar a presidência, isso significaria uma forte presença de Abu Dhabi e Damasco dentro da organização, que ativistas de direitos humanos insistem que seria prejudicial à segurança de dissidentes e críticos em todo o mundo.

Esses temores aumentaram sobretudo em meio às recentes descobertas da Suprema Corte do Reino Unido de que o governante de Dubai havia usado a tecnologia de spyware israelense para invadir os telefones de sua ex-esposa, de seus advogados e de jornalistas em todo o mundo.

O governo britânico ainda não divulgou qual candidato apoiará para a presidência da Interpol, mas a revelação do envolvimento indireto dos quatro ex-ministros revela potencialmente ainda mais as ligações entre figuras políticas britânicas, atores estrangeiros e grupos de lobby em todo o mundo.

Esse é principalmente o caso com figuras do partido conservador no poder. Enquanto Ashton fazia parte do Partido Trabalhista, os outros três são ex-ministros conservadores.

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