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EUA pressionam Israel a reagir a suposta espionagem da China

Porto israelense de Haifa, em 24 de junho de 2021 [EMMANUEL DUNAND/AFP/Getty Images]
Porto israelense de Haifa, em 24 de junho de 2021 [EMMANUEL DUNAND/AFP/Getty Images]

Segundo informações do website Breaking Defence, oficiais dos Estados Unidos estão pressionando o governo israelense a reagir a supostas atividades de espionagem da China, em meio às obras portuárias na cidade de Haifa.

Conforme o relato, os americanos pediram às suas contrapartes israelense que conduzam inspeções regulares do maquinário pesado que chega ao terminal da Baía de Haifa, construído com investimento chinês de US$1.7 bilhões.

O contrato de 25 anos permite ao Grupo Portuário Internacional de Xangai (SIPG) administrar as instalações. Washington teme, no entanto, que as obras da estatal chinesa possam ser utilizadas para espionar atividades navais israelo-americanas.

Tais receios, segundo fontes, são parcialmente compartilhados por Tel Aviv, devido à proximidade do porto com a maior base da Marinha de Israel, além das atividades e fluxo de embarcações dos Estados Unidos pelos mares de Haifa.

Pesquisadores do Instituto Israelense para Estudos de Segurança Nacional (INSS) observaram que, embora a base esteja à mesma distância do porto do que outras instalações, sua localidade específica pode facilitar a coleta de inteligência na região.

As oito gruas que operam nas obras de Haifa — também fabricadas na China — supostamente auxiliam nas operações de espionagem.

LEIA: Os crescentes laços de Israel com a China preocupam Washington

Ao comentar a reportagem, o Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que oficiais “estão engajados com aliados e parceiros globais, incluindo Israel, para desenvolver sistemas de triagem a investimentos de defesa”.

Um porta-voz da chancelaria em Washington acrescentou: “Fomos francos com nossos amigos israelenses sobre os riscos a nossos interesses compartilhados de segurança nacional e mantivemos tais discussões via canais apropriados”.

Apesar de não responder diretamente à pressão de Washington, fontes israelenses asseguraram que Tel Aviv adotaria “medidas operacionais” para proteger instalações submarinas e na superfície de “olhos e ouvidos estrangeiros”.

Os Estados Unidos temem a aproximação entre Israel e China — respectivamente, principal aliado no Oriente Médio e maior adversário na arena global.

Em agosto, tais receios tornaram-se claros quando William J. Burns, diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), advertiu o premiê israelense Naftali Bennett dos riscos impostos pelo volume de investimentos chineses no país.

Em meio a contratos de Pequim por todo o mundo — sobretudo em obras portuárias —, alertas emergiram de que a assistência econômica poderia atrair países a “dívidas estratégicas”, para coagí-los a conceder controle das instalações ao governo chinês.

Além disso, sobre a questão da espionagem, também em agosto, a firma de cibersegurança Fire Eye revelou que hackers chineses invadiram computadores do governo israelense e de empresas de tecnologia, no período entre 2019 e 2020.

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