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Firma de spyware israelense cancela contrato com Emirados

Smartphone visita site da empresa israelense NSO, que comercializa o spyware Pegasus, em Paris, 21 de julho de 2021 [JOEL SAGET/AFP via Getty Images]
Smartphone visita site da empresa israelense NSO, que comercializa o spyware Pegasus, em Paris, 21 de julho de 2021 [JOEL SAGET/AFP via Getty Images]

A firma israelense NSO rescindiu seu contrato com os Emirados Árabes Unidos, após a Suprema Corte da Inglaterra revelar que o premiê e vice-presidente emiradense utilizou o software espião Pegasus para invadir os telefones da ex-esposa e seus advogados.

A denúncia foi corroborada pela defesa da princesa Haya Bint al-Hussein, após julgamento da Suprema Corte, segundo informações da agência Reuters.

Mohammed Bin Rashid al-Maktoum — vice-presidente e premiê dos Emirados e governante de Dubai — encomendou a invasão de seis telefones de Haya, seus advogados e sua equipe de segurança, observou um veredito da corte britânica divulgado ontem.

O hackeamento ocorreu em 2020, em meio à multimilionária batalha por custódia entre Haya e Maktoum sobre seus dois filhos, cujo processo foi registrado em Londres.

LEIA: Sheik de Dubai ordenou hackeamento do telefone da ex-mulher, conclui corte britânica

Em meio às sucessivas audiências, a corte foi informada de que a NSO cancelou seu contrato com Abu Dhabi, devido a violações de uso do aplicativo Pegasus — mecanismo sofisticado para coletar dados de celulares de indivíduos de interesse.

“Sempre que uma suspeita de mau uso emerge, a NSO investiga, a NSO alerta, a NSO finaliza”, declarou a empresa que presta serviços a órgãos públicos de polícia e inteligência.

Segundo o comunicado, seis sistemas de consumidores prévios foram suspensos e contratos estimados em US$300 milhões foram revogados — contudo, sem detalhes.

O príncipe emiradense rejeitou a conclusão judicial, ao descrevê-la como “imagem incompleta”.

“Sempre neguei as acusações feitas contra mim e continuarei a fazê-lo”, insistiu Maktoum.

A invasão contra Haya e indivíduos associados, incluindo a advogada Fiona Shackleton, veio à tona no início de agosto de 2020. Um perito que pesquisava o uso do Pegasus contra um ativista emiradense constatou o ataque cibernético e informou as autoridades.

Na mesma época, foi reportado à NSO que o software fora adotado para espionar Haya e sua equipe, afirmou uma fonte próxima à empresa em contato com a agência Reuters.

Em seguida, a NSO recorreu a Cherie Blair — esposa do ex-premiê britânico Tony Blair —, contratada como consultora externa de direitos humanos, para advertir a princesa.

Dentro de duas horas, a corporação israelense desligou o sistema Pegasus utilizado contra contas britânicas, medida ainda em vigor, enfatizou a fonte.

Em carta endereçada à corte, datada de 14 de dezembro do último ano, a NSO confirmou rescindir contrato com seu cliente, embora sem identificá-lo nominalmente.

“Como explica a carta de dezembro de 2020 … após sua investigação, a NSO adotou a solução extrema de encerrar o acesso do consumidor ao software Pegasus”, declarou Andrew McFarlane, presidente da Vara de Família da Inglaterra e Gales.

“Em termos comerciais, a medida deve ser interpretada como de enorme significado”, acrescentou seu veredito.

O Pegasus ganhou manchetes em julho, quando o Citizen Lab — projeto de monitoramento digital da Universidade de Toronto — expôs casos de invasão contra 50 mil telefones, incluindo oficiais, jornalistas, ativistas e opositores políticos em todo o mundo.

LEIA: Após o Grupo NSO, aviso é emitido contra a segunda empresa israelense de spyware

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