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A AP continua perdendo sua autoridade, por meio de suas próprias ações

Os palestinos erguem cartazes em árabe que dizem "Que situação: ocupação... engano... prisão... assassinato", enquanto uma faixa endereçando-se ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, diz "Deixe" na cidade de Ramallah, na Cisjordânia ocupada, em 3 de julho, 2021, enquanto se manifestam para um protesto denunciando a Autoridade Palestina (AP) [Abbas Momani/AFP via Getty Images]

Estatísticas recentes corroboram o crescente ressentimento nos territórios palestinos ocupados contra a Autoridade Palestina e seu líder, Mahmoud Abbas. O Centro Palestino para Pesquisa de Políticas e Pesquisas (PSR) realizou uma pesquisa em um momento em que a AP persistia em provar o quão dessincronizada está com as necessidades do povo palestino e até que ponto iria para garantir sua sobrevivência política durante a libertação palestina.

Tendo como pano de fundo a última agressão israelense a Gaza, o assassinato extrajudicial do ativista palestino Nizar Banat pelos serviços de segurança da AP, bem como a repressão da AP aos protestos pedindo justiça para o Banat, a AP se saiu mal, a tal ponto que, em um evento sem precedentes, 80 por cento dos palestinos agora exigem a renúncia de Abbas. Na verdade, a AP faria bem em dar ouvidos às conclusões da pesquisa, porque sua confiança em Israel e a coordenação de segurança para manter os palestinos sob controle podem não ser tão eficazes, quando se considera a unificação palestina da perspectiva do povo.

Embora Abbas esteja claramente falhando em inspirar os palestinos, como visto nos crescentes pedidos de demissão, 87 por cento dos palestinos afirmaram que a fuga dos seis prisioneiros palestinos de Gilboa serviu “como uma inspiração para os palestinos fora da prisão tomarem a iniciativa e trabalharem ativamente para o fim da ocupação”. Abbas também se saiu mal no bombardeio israelense de Gaza quando comparado ao Hamas – 45 por cento dos palestinos acreditam que o Hamas representaria melhor o povo palestino, enquanto apenas 19 por cento defendeu o Fatah sob a liderança de Abbas.

Por que a AP matou Nizar Banat? [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

Durante décadas, a coordenação de segurança proporcionou segurança para Abbas no que diz respeito à sua liderança política e à suposta construção do Estado financiada pela comunidade internacional. Diplomaticamente, a coordenação de segurança foi considerada um componente integral da construção do Estado, tanto que anulou as legítimas preocupações e temores de repressão do povo palestino.

Se a AP desejava suas táticas violentas para cimentar o silêncio entre os palestinos, o assassinato de Banat anunciou o oposto. A pesquisa mostra que 63 por cento do público palestino acredita que a Autoridade Palestina ou os líderes de segurança ordenaram seu assassinato extrajudicial deliberadamente. Da mesma forma, 63 por cento apoiaram as manifestações exigindo a renúncia de Abbas, enquanto 69 por cento não estão satisfeitos com as medidas tomadas pela AP em termos de busca de justiça para o assassinato de Banat. E se a AP esperava que a violência suprimisse a dissidência, 74 por cento dos palestinos “acreditam que as medidas tomadas pelos serviços de segurança da AP para prender os manifestantes que exigiam justiça para Banat são uma violação das liberdades e dos direitos humanos”.

Um quadro terrível foi pintado para a AP. Não apenas o povo palestino expressou suas crenças na pesquisa – suas demandas estão sendo publicamente articuladas. Não há volta para o povo palestino – Abbas e a AP mostraram-se indignos de liderança não apenas por se agarrarem ao governo ilegítimo, mas também por meio da coordenação de segurança “sagrada”. A única opção que resta é se voltar para o povo, e Abbas logo perceberá que até mesmo se voltar para o povo não será suficiente, porque os palestinos não estão mais esperando que a liderança explicite suas demandas políticas.

LEIA: Até que ponto a hipocrisia da AP pode passar por cima da questão dos prisioneiros palestinos?

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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