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Presidente de El Salvador se descreve como o “ditador mais legal do mundo”

Salvadorenhos protestam contra a Lei Bitcoin, no âmbito do Dia da Independência Centro-Americana, em San Salvador, capital de El Salvador, em 15 de setembro de 2021. [Alex Pena/Agência Anadolu]

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, ironizou as críticas ao seu governo alterando sua biografia no Twitter para “o ditador mais cool [legal] do mundo”. No domingo (19), ele havia modificado para “Ditador de El Salvador”. Na semana passada, ele enfrentou protestos massivos da oposição, que afirmava que uma ditadura estaria sendo instalada no país.

A Fundação Internacional de Direitos Humanos exigiu maior seriedade do chefe de estado e respeito às vítimas das ditaduras. “Presidente Nayib Bukele, leve em consideração a responsabilidade institucional do cargo para o qual foi eleito. A memória histórica e o respeito às vítimas das ditaduras devem fazer com que você reflita sobre a seriedade da comunicação presidencial”, publicou a organização.

Salvadorenhos protestam contra a Lei Bitcoin, no âmbito do Dia da Independência Centro-Americana, em San Salvador, capital de El Salvador, em 15 de setembro de 2021. [Alex Pena/Agência Anadolu]

O presidente de origem palestina, Bukele, é muito ativo nas redes sociais, especialmente no Twitter, onde ele anuncia suas decisões para a população. Ele alterou o perfil para “o Ditador de El Salvador” após, em 15 de setembro, quando o país comemorou seu 200º aniversário de independência, milhares de pessoas se reuniram em diferentes pontos da cidade de San Salvador, capital do país, com faixas dizendo frases como “A rua não se fechará até que o ditador se vá” e “A constituição deve ser respeitada, o povo a exige”. A crescente oposição surgiu nas mídias sociais após várias medidas adotadas pelo governo Bukele, incluindo o uso da moeda criptográfica Bitcoin como moeda corrente e o desejo de exercer o poder de forma arbitrária.

No mesmo dia do protesto, em seu discurso pelos 200 anos de independência nacional, Bukele rejeitou essas acusações. “Não há ditadura aqui. Aqui está uma democracia que se expressou livremente nas urnas e não uma, mas duas vezes”, disse o presidente. Ele ironizou o protesto afirmando que “foram lutar contra uma ditadura que não existe”.

O líder de direita, que está no poder desde 2019, tem sido fortemente criticado por minar a democracia ao adotar reformas legais para estender sua presidência. Em maio deste ano, Bukele ordenou a remoção de cinco juízes da Suprema Corte depois que o Judiciário salvadorenho decidiu que o uso dos poderes de emergência do presidente durante a pandemia do coronavírus era inconstitucional. No Twitter, Bukele se defendeu das críticas afirmando estar “colocando nossa casa em ordem”. Os novos nomeados decidiram que o presidente pode concorrer à reeleição. Seu governo atual termina em 2024.

“As celebrações são feitas com luta, e aqui está o povo salvadorenho lutando por sua independência, lutando por seus direitos, lutando pela democracia, lutando por este país, nós estamos aqui que amamos nossos filhos e filhas, nossos pais”, disse Dina Argueta – uma deputada da esquerda, durante a manifestação do dia 15, segundo reportado pela Agência Anadolu. “Estamos aqui porque não queremos a imposição de uma moeda como Bitcoin, estamos aqui porque acreditamos que a população salvadorenha realmente tem poder”.

A partir de 7 de setembro, Bitcoin se tornou a moeda oficial de El Salvador equiparada ao dólar americano, uma ação que gerou controvérsia. Embora o governo tenha dito que a medida impulsionará o desenvolvimento econômico e beneficiará aqueles que vivem no exterior, economizando milhões de dólares em comissões sobre remessas, organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional advertiram contra a adoção da moeda criptográfica, dizendo que ela poderia aumentar os riscos para as instituições financeiras.

LEIA: Banco Mundial nega ajudar El Salvador na implementação das bitcoins

As pesquisas mostram que a maioria dos salvadorenhos são céticos quanto ao uso do Bitcoin e desconfiados quanto à estabilidade de seus ganhos.

Na quarta-feira, a revista Time selecionou Bukele entre as 100 pessoas mais influentes de 2021. Embora ele apareça na seção “líderes” ao lado do presidente americano Joe Biden e do presidente chinês Xi Jinping, seu perfil não é necessariamente louvável. O jornalista Daniel Lizarraga, que escreveu um perfil sobre Bukele, disse que o presidente “não suporta críticas ou oposição” e lembrou quando chegou ao parlamento de seu país cercado de soldados armados para forçar os legisladores a aprovar seu orçamento.

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