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Clima de medo cresce no Iêmen, alertam especialistas em direitos humanos

Um homem caminha sobre os escombros de uma casa atingida por ataques aéreos perpetrados por aviões de guerra da coalizão liderada pelos sauditas, em 28 de julho de 2019, em Sana'a, Iêmen [Mohammed Hamoud/Getty Images]
Um homem caminha sobre os escombros de uma casa atingida por ataques aéreos perpetrados por aviões de guerra da coalizão liderada pelos sauditas, em 28 de julho de 2019, em Sana'a, Iêmen [Mohammed Hamoud/Getty Images]

Um painel independente da ONU com especialistas em direitos humanos está fazendo um alerta para o aumento do clima de medo entre os civis do Iêmen. O grupo apresentou esta quarta-feira um relatório que faz um balanço dos últimos 12 meses de confronto.

O painel condena as violações de direitos humanos que continuam acontecendo no país, que já enfrenta seis anos de conflito. Segundo os especialistas, todos os lados são culpados: os Houthis, que atacam os civis, e a coalizão internacional liderada pelos sauditas, que apoiam o governo e que tem realizado ataques aéreos no Iêmen.

Divisão

O país está dividido desde 2015: de um lado, as forças do governo apoiadas pela coalizão militar, e de outro, o grupo rebelde Houthi, que tem o controle da maior parte do norte do país, incluindo a capital, Sanaa.

No documento “Uma Nação Abandonada: Um Pedido à Humanidade para Acabar com o Sofrimento no Iêmen”, o grupo de especialistas também cita o Conselho de Transição do Sul como sendo responsável por violações, pricipalmente na cidade de Aden.

Crimes Internacionais

O relatório destaca que todas as partes envolvidas no conflito são responsáveis por violações que podem ser consideradas crimes internacionais. Entre os exemplos estão restrições ao acesso humanitário e obstáculos para a população receber comida e água; detenções arbitrárias; desaparecimentos forçados; violência de gênero e sexual; tortura e outras formas de tratamento cruel.

Os jornalistas e defensores de direitos humanos no Iêmen também são alvo de perseguições e há ainda violações dos direitos das crianças.

LEIA: Três milhões de crianças do Iêmen estão incapazes de acessar a educação, segundo a Cruz Vermelha

O documento revela ainda a intensificação das hostilidades em Marib e outros locais. O grupo lamenta que a coalizão não esteja levando à sério suas recomendações sobre as operações militares.

Crise econômica e de saúde

O presidente do grupo de direitos humanos, Kamel Jendoubi, declarou que “o clima de medo e de impunidade piorou entre os habitantes do Iêmen”, apesar de acordos políticos e de discussões de alto nível sobre a situação no país.

O painel da ONU alertou ainda que o dia-a-dia dos iemenitas “está insuportável” para muitos. Além do conflito, a população lida com a pandemia de Covid-19, enchentes, restrições nas importações, crise econômica e falta de combustível.

Jendoubi disse também que “no meio de uma situação intolerável, o sofrimento no Iêmen só irá acabar com vontade política genuína das partes em conflito e da comunidade internacional”.

O relatório pede ainda ao Conselho de Direitos Humanos para garantir que a situação no país continue na agenda do órgão e para que o mandato do grupo de especialistas seja renovado.

LEIA: 70% dos iemenitas estão sob risco de fome, alerta Banco Mundial

Publicado originalmente em Onu News

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