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TPI considera investigar Israel por demolições de vilarejo beduíno no Vale do Jordão

Vilarejo beduíno Khirbet Humsah após demolição israelense, em 3 de novembro de 2020 [Sarit Michaeli/B’Tselem]
Vilarejo beduíno Khirbet Humsah após demolição israelense, em 3 de novembro de 2020 [Sarit Michaeli/B’Tselem]

O Ministério Público do Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, está considerando investigar Israel pela destruição de dezenas de casas palestinas no vilarejo de Khirbet Humsah, no Vale do Jordão. O pedido veio da organização Combatentes pela Paz (Combatants for Peace), que chamou o ato de crime de guerra, segundo o Hareetz.

No mês passado, o exército de ocupação israelense demoliu casas e confiscou os pertences de cerca de sessenta palestinos do vilarejo, de acordo com a Agência Wafa. A ocupação alega que a região foi declarada área de treinamento de tiro.

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Essa foi a terceira campanha de demolições na região feita pela ocupação em um ano. Israel exigiu que os moradores, que vivem da pastagem de gado, se mudassem para um local a quinze quilômetros de distância do vilarejo, mas eles se recusaram.

Em apelo à corte de Haia, a organização Combatentes pela Paz declarou que “enquanto as forças militares estão trabalhando para expulsar a comunidade de pastores em Khirbet Humsa, soluções inovadoras foram desenvolvidas para os colonos que vivem na área de treinamento de tiro 903 e nas proximidades, o que indica que a necessidade de exercícios é usada apenas como uma desculpa para implementar mudanças demográficas”.

“Além do fato de que o treinamento militar não pode ser considerado uma necessidade militar urgente, no caso do Khirbet Humsah esse raciocínio não se aplica, já que o exército não quer que os residentes retornem ao seu local de residência na zona de tiro ou próximo à zona de tiro no final do treinamento”, escreveu a organização. “Ao invés disso, o exército emitiu ordens de demolição e destruiu as estruturas temporárias dos residentes, confiscou seus escassos pertences e os colocou sob imensa pressão para se mudarem voluntariamente para outro lugar”.

Dados da organização de direitos humanos B’Tselem indicam que aproximadamente 2.700 pessoas vivem em cerca de vinte áreas pastorais no Vale do Jordão, declaradas áreas de treinamento de tiro pelo exército de ocupação.

Segundo o Hareetz, Khirbet Humsah é composta principalmente por famílias pastorais que vieram da aldeia de As Samu, no sul da Cisjordânia, nos anos setenta. Eles foram para o Vale do Jordão após as áreas disponíveis para pastoreio e fontes de água diminuirem devido às restrições do exército e à construção de assentamentos. Após a Nakba, em 1948, muitas famílias de As Samu perderam suas terras, que ficaram sob controle israelense na Linha Verde.

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