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Fracassos do governo libanês causaram explosão em Beirute, reporta HRW

Manifestantes e familiares de vítimas da explosão em Beirute protestam em frente a residência do Ministro do Interior, no bairro de Qoraitem, no oeste da capital libanesa, em 13 de julho de 2021 [AFP via Getty Images]

Há forte evidência de que oficiais libaneses sabiam e aceitaram tacitamente os riscos impostos pelo nitrato de amônio armazenado no porto de Beirute, antes da explosão que devastou a cidade, em 4 de agosto do último ano, reportou o Human Rights Watch (HRW).

As informações são da agência Reuters.

A explosão, causada pelo material químico conservado inadequadamente por anos, matou mais de duzentas pessoas, feriu milhares e destruiu grandes porções da capital.

A explosão que devastou Beirute

O relatório da organização humanitária contém mais de 700 páginas de evidências e documentos sobre a tragédia. A investigação também concluiu que há provas de negligência criminal por diversas autoridades libanesas, conforme a lei federal.

O HRW baseou seu relatório na análise de documentos oficiais e uma série de entrevistas com funcionários do governo, incluindo o próprio presidente Michel Aoun, o premiê em exercício Hassan Diab e o diretor-geral de segurança nacional Tony Saliba.

A investigação rastreou eventos a partir de 2014, após a remessa chegar ao porto, e localizou então reiterados alertas de grave perigo por diversos órgãos estatais.

“As evidências sugerem veementemente que alguns oficiais do governo previam a morte que a presença de nitrato de amônio no porto poderia causar e acataram o risco”, afirmou o HRW.

LEIA: Líbano obstrui inquérito sobre explosão em Beirute, alerta Anistia

A organização então exortou o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas a convocar um inquérito próprio sobre a explosão e sugeriu que outros países conduzam sanções de direitos humanos e corrupção sobre oficiais libaneses para pressionar por justiça.

Uma investigação nacional sobre o desastre, liderada pelo juiz Tarek Bitar, permanece paralisada. Políticos e comandantes de alto escalão ainda não foram questionados e pedidos para suspender sua imunidade foram frustrados pelas autoridades.

Segundo o relatório, o presidente, o premiê em exercício, o chefe de segurança e outros ministros convocados por Bitar, negligenciaram qualquer atitude para proteger o público geral apesar de serem reiteradamente informados sobre a ameaça.

A Reuters buscou comentários das autoridades supracitadas; contudo, sem resposta.

Na sexta-feira (30), Aoun alegou estar pronto para testemunhar, após um ano da explosão, ao prometer que ninguém está acima da lei.

Um documento obtido pela Reuters, de apenas duas semanas antes do desastre, confirmou que o presidente e o premiê foram advertidos sobre o risco imposto pelo material abandonado na zona portuária, com potencial para destruir a capital.

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