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Funcionário saudita que supostamente ameaçou investigadora da ONU é nomeado

Investigadora de execuções extrajudiciais da ONU Agnes Callamard na Conferência Global para Liberdade de Mídia em Londres, Reino Unido, em 10 de julho de 2019. [Foreign and Commonwealth Office/Wikipedia]
Investigadora de execuções extrajudiciais da ONU Agnes Callamard na Conferência Global para Liberdade de Mídia em Londres, Reino Unido, em 10 de julho de 2019. [Foreign and Commonwealth Office/Wikipedia]

O oficial saudita que supostamente fez ameaças de morte contra a investigadora da ONU Agnès Callamard foi nomeado pelo próprio chefe dos direitos humanos do Reino, Awwad Al-Awwad. As ameaças teriam sido feitas enquanto Callamard investigava o assassinato em 2018 do jornalista Jamal Khashoggi, do Washington Post, no Consulado Saudita em Istambul.

Al-Awwad é ex-assessor do príncipe herdeiro, Mohammed Bin Salman. Ele foi citado por alguém familiarizado com o assunto como tendo duas vezes ameaçado “cuidar de” Callamard em uma reunião de janeiro de 2020 com autoridades de direitos humanos em Genebra. O ex-ministro da Cultura e Informação negou as acusações e levantou a possibilidade de que a história tenha sido “inventada” para distrair as pessoas do “importante trabalho que estamos fazendo para promover os direitos humanos na Arábia Saudita”.

A alegação de ameaça de morte foi relatada na terça-feira pelo Guardian. A relatora especial cessante para assassinatos extrajudiciais disse que um colega da ONU a alertou em janeiro de 2020 sobre o que teria sido dito em uma reunião com outros altos funcionários da ONU em Genebra se ela não fosse contida pela ONU.

Questionada sobre como o comentário foi percebido por seus colegas baseados em Genebra, Callamard respondeu: “Uma ameaça de morte. Foi assim que foi entendido”. Além da especulação sobre a identidade do oficial saudita, também foram feitas perguntas sobre por que a ONU não respondeu a uma alegação tão séria.

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“Confirmamos que os detalhes da história do Guardian sobre a ameaça dirigida a Agnès Callamard são precisos”, disse um porta-voz da ONU à Reuters esta semana. O escritório de direitos humanos da ONU informou Callamard sobre a ameaça, bem como à segurança e às autoridades da ONU, acrescentou Rupert Colville.

Callamard publicou um relatório em 2019 sobre o assassinato de Khashoggi. Ela concluiu que havia “evidências confiáveis” de que Bin Salman e altos funcionários sauditas foram responsáveis ​​pela morte do jornalista, que vivia exilado na América.

A inteligência dos EUA também chegou a uma conclusão semelhante, mas os detalhes do relatório foram encobertos pelo governo Trump. O presidente Joe Biden, no entanto, autorizou a divulgação do relatório no mês passado. Concluiu que o príncipe herdeiro saudita aprovou o assassinato brutal de Khashoggi.

Callamard também implicou Bin Salman em uma investigação da ONU sobre a invasão de telefones do fundador da Amazon.com, Jeff Bezos. Concluiu que seu telefone foi hackeado com um vídeo corrompido enviado de uma conta do WhatsApp pertencente ao governante de fato da Arábia Saudita.

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