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‘Não me calei como esperavam’, afirma ativista egípcio sob novas acusações do regime

Aly Hussin Mahdy, ativista egípcio radicado em Chicago, Estados Unidos, 23 de junho de 2021
Aly Hussin Mahdy, ativista egípcio radicado em Chicago, Estados Unidos, 23 de junho de 2021

O judiciário do Egito produziu uma nova acusação contra o ativista egípcio Aly Hussin Mahdy, exilado em Chicago, nos Estados Unidos.

Nesta terça-feira (22), Aly foi condenado in absentia a quatro anos de prisão, além de uma multa de 500 libras egípcias (US$32), devido ao “mau uso” das redes sociais e suposta conspiração contra o regime do presidente e general Abdel Fattah el-Sisi.

Os documentos da corte alegam que Aly difamou o governo ao denunciar o desvio de recursos públicos em benefício de Sisi, à medida que cidadãos egípcios lutam para sobreviver.

Seu pai, tio e primo foram presos no Egito no início de fevereiro, após Aly compartilhar uma série de vídeos sobre os reiterados abusos de direitos humanos cometidos no país.

Em sua diáspora, Aly foi submetido a uma árdua campanha de difamação perpetrada pela imprensa estatal egípcia e chegou a receber ameaças de morte.

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Em abril, seus familiares compareceram à corte após mais de dois meses desaparecidos. O ativista então descobriu que foram torturados, inclusive com choques elétricos. Seu pai usava muletas, após soldados quebrarem sua perna durante o interrogatório.

Sem qualquer acesso a um advogado, os réus foram acusados de filiação a um grupo terrorista, embora sem evidências.

Ativistas e dissidentes na diáspora vivenciam uma onda de prisão contra seus parentes ainda no Egito, como punição sumária contra críticas legítimas.

Aly relatou ao MEMO que ainda deve ser alvo de novos processos conduzidos pelo regime.

Eles não querem que eu vá para casa, fazem isso para me manter longe”, insistiu Aly. “Com essa sentença, sequer posso pensar em voltar porque sei com absoluta certeza que desaparecerei nas prisões, o que será encoberto pela ‘lei’ do governo”.

“Mesmo após sequestrarem minha família e jogá-la na cadeia, eu não me calei como esperavam, então fabricaram essa condenação para tentar me silenciar”, argumentou o ativista. “Ainda assim, não vou me calar”

O novo caso contra Aly ocorre enquanto grupos de direitos humanos exortam os Estados Unidos a abordar as graves violações egípcias durante a visita de Abbas Kamel, chefe de inteligência de Sisi, à capital americana, nesta semana.

Relatos também emergiram de que o esquadrão da morte que executou o jornalista saudita Jamal Khashoggi dentro do consulado da monarquia em Istambul, em outubro de 2018, fez uma escala no Cairo para obter drogas letais utilizadas no crime.

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