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Número crescente de crianças de Gaza precisam de apoio à saúde mental, diz Unicef

Um palestino carrega uma menina ferida em um hospital após Israel realizar ataques aéreos sobre Gaza, em 10 de maio de 2021 [Mohammed Abed/AFP/Getty Images]

Gritos, ataques aéreos, poças de sangue espalhadas e medos e pesadelos constantes, é assim que as crianças de Gaza vivem suas vidas. Com cada guerra que testemunham, os sentimentos e cenas se repetem em suas mentes e trabalham para distorcer sua visão do mundo, que eles veem como um lugar de guerra e no qual devem se preparar constantemente para perder suas vidas, lares, seus entes queridos a qualquer momento.

Samah Jabr, chefe da unidade de saúde mental do Ministério da Saúde Palestino, diz que as autoridades não têm abrigos e locais seguros suficientes para proteger os cidadãos dos ataques israelenses, que obrigam as crianças a viver em constante estado de medo. Mesmo o menor ruído pode causar pânico, ela explicou.

Lucia Elmi, representante especial da Unicef na Palestina, disse que o que está acontecendo na Palestina é uma grave manifestação de trauma e destruição, acrescentando que isso afetará as crianças que lá vivem e as futuras gerações.

Elmi enfatizou que antes da última onda de violência infligida aos palestinos pela ocupação israelense, a Unicef afirmou que uma em cada três crianças em Gaza precisa de assistência psicológica e social, mas os recentes bombardeios vão aumentar os números. Os filhos de Gaza, disse ela, estão vivendo em um campo de batalha.

Asad Ashour, coordenador de educação do Conselho Norueguês para Refugiados (NRC, na sigla em inglês) – Gaza, disse que a escalada da violência exacerbou o medo das crianças, aumentou sua percepção negativa do mundo e expôs muitas delas a traumas.

Ele afirmou que um grande número de crianças palestinas sofre de incapacidade de concentração, pesadelos e constantes mudanças de personalidade, além de irritação e medo constante da morte, seja para si mesmas seja para seus familiares.

LEIA: A agonia da desapropriação palestina

Ashour enfatizou que as crianças na Palestina não podem desfrutar de uma infância normal, divertir-se, visitar umas às outras e ir a parques, porque temem que, a cada passeio, corram o risco de perder seus entes queridos em um ataque de míssil. Como resultado, eles vivem com medo constante de fazer qualquer coisa.

Os filhos de Gaza, explicou o professor clínico de psiquiatria e ciências da saúde global Jess Ghannam, são os que mais sofrem por não terem um lugar seguro para ir e como escapar do trauma.

Ghannam indicou que muitos estudos lançam luz sobre a extensão do impacto da violência israelense sobre as crianças de Gaza, incluindo um estudo publicado no jornal científico suíço Frontiers in Psychiatry no ano passado, que confirmou que 90 por cento das crianças e adolescentes palestinos na Faixa de Gaza sofreram traumas pessoais e mais de 80 por cento testemunharam traumas em outras pessoas.

O bombardeio de 11 dias por Israel na sitiada Faixa de Gaza matou mais de 270 palestinos, incluindo quase 70 crianças, e feriu outros milhares.

De acordo com o Ministério da Saúde palestino, os hospitais palestinos em Jerusalém Oriental receberam mais de 400 feridos, 22 deles em estado crítico, enquanto as outras instalações na Cisjordânia estão tratando de centenas de feridos.

Número de mortos em Gaza continua a aumentar [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

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