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Refugiados voltam à Etiópia após a vida no Iêmen tornar-se insustentável

Refugiados africanos recebem alimento e água em um estádio de futebol na cidade portuária de Aden, na costa iemenita do Mar Vermelho, em 23 de abril de 2019 [AFP/Getty Images]

Quando o refugiado etíope Jamal Hussein embarcou em um voo de repatriação da ONU para sair do Iêmen, encerrou assim uma longa jornada no país árabe assolado pela guerra, após esgotar suas esperanças de prosseguir à Arábia Saudita e obter uma vida melhor.

Muitos outros refugiados desistiram de seus anseios prévios, em certa reversão precoce do longevo e perigoso fluxo marítimo migratório com saída do Chifre da África, passagem pelo Iêmen em conflito e destino aos estados do Golfo, reportou a Reuters.

Suas esperanças de trabalho e vida melhor foram frustradas pelas restrições decorrentes da pandemia de coronavírus e pela crise de segurança regional, deixando os refugiados africanos isolados em um país onde milhões já subsistem à margem da fome.

Dezenas se afogaram nas últimas semanas, após barcos improvisados por redes de tráfico humano naufragarem em direção ao continente africano.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) estima que mais de 11 mil refugiados retornaram por mar no ano passado. Agora, a agência das Nações Unidas tenta organizar voos para que os refugiados regressem em segurança aos seus países.

“Queria ir à Arábia Saudita para encontrar trabalho, cheguei no Iêmen”, relatou Hussein, logo antes de seu voo na terça-feira (13). “Então descobri que estava em guerra, não sabia!”

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Hussein costumava trabalhar nos campos de cultivo da planta estimulante qat, que possui efeito similar à anfetamina, na região de Oromia, centro do território etíope, quando decidiu arriscar o pouco que tinha para emigrar há menos de um ano.

Após chegar à capital iemenita Sanaa, no norte do Iêmen, controlada pelo movimento rebelde houthi, Hussein foi detido com outros refugiados pelas autoridades locais. Em março, relata, sobreviveu a um incêndio no centro de detenção, que matou dezenas de imigrantes.

Com as rotas ao Golfo obstruídas pelo covid-19 ou questões de segurança, milhares de refugiados passaram a enfrentar um estigma crescente durante a pandemia, detidos e transferidos ao sul do Iêmen, sede do governo reconhecido internacionalmente.

Após o incêndio, os houthis transferiram Hussein e outros a uma região no deserto local. Dali, viajaram a Aden e encontraram socorro da agência da ONU.

Segundo a Organização Internacional para Migrações, um grupo de 1.100 refugiados etíopes foram aprovados por um programa de “retorno humanitário voluntário”. Milhares aguardam a verificação da nacionalidade e documentos de viagem para retornar a seus países.

Mais de 32 mil imigrantes, a maioria etíopes, permanecem isolados no Iêmen, em circunstâncias bastante precárias, reiterou a entidade internacional.

O Iêmen é assolado por violência e guerra desde 2015, quando uma coalizão liderada pela Arábia Saudita interveio no país para reverter os ganhos territoriais do movimento houthi e restaurar o governo aliado de Abd Rabbu Mansour Hadi.

A ONU descreve a situação como a pior crise humanitária do mundo, com 80% da população dependente de ajuda externa.

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