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Espanha permite que agente israelense interrogue jornalista palestino em Madri

Jornalista palestino Muath Hamid [ShehabAgency/Twitter]
Jornalista palestino Muath Hamid [ShehabAgency/Twitter]

Os serviços de segurança espanhóis permitiram que um agente israelense da agência de espionagem Mossad interrogasse um jornalista palestino que buscava asilo, informou a agência de notícias Wafa. O incidente no prédio da Guarda Civil na capital foi condenado pelo Sindicato dos Jornalistas Palestinos.

O sindicato pediu ao governo espanhol que assuma suas responsabilidades garantindo a segurança de Muath Hamid e sua família. Também pediu às autoridades espanholas que abram uma investigação sobre o que aconteceu durante o interrogatório.

A Guarda Civil da Espanha é a agência de aplicação da lei mais antiga do país e “de natureza militar”. O sindicato dos jornalistas disse ser suspeito de ser “cúmplice” do Mossad ao permitir que o agente israelense interrogasse Hamid em seu prédio. “Essa foi uma violação grosseira do direito internacional, uma violação da soberania espanhola e uma ameaça à segurança do jornalista”, insistiu o sindicato.

Acrescentou que o caso está sendo acompanhado de perto com o Sindicato dos Jornalistas Espanhóis, o Ministério das Relações Exteriores e Expatriados da Palestina e as autoridades políticas e de segurança espanholas para garantir que Hamid não seja sujeito a qualquer dano ou tortura. O repórter da Al Araby TV e colaborador freelance da Al-Araby Al-Jadeed é atualmente refugiado na Espanha, onde mora com a esposa e dois filhos.

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De acordo com o popular jornal online espanhol Público, na passada sexta-feira, Hamid recebeu um telefonema de “Nicolás”, oficial dos Serviços de Informação da Guarda Civil Espanhola, “Nicolás queria falar sobre o trabalho de Hamid como jornalista, o seu passado e o seu presente vida na Espanha. Esse é um procedimento normal para refugiados e migrantes”.

Quando o jornalista foi ao encontro de “Nicolás” em Bilbao, ele conheceu outro oficial, Javier. “Hamid respondeu a todas as perguntas, explicando porque se candidatou a asilo em Espanha e descrevendo a sua viagem da Palestina à Europa através da Turquia”, relatou o Público. “No início de fevereiro, o jovem jornalista palestino foi convocado novamente por Nicolás […] dessa vez na capital espanhola, Madrid.”

Dessa vez, havia também outro homem na sala, supostamente chamado Omar, “que foi apresentado a ele como um palestino. Hamid, no entanto, imediatamente percebeu seu forte sotaque israelense […] e decidiu responder às suas perguntas em hebraico”. Omar reconheceu que era israelense, momento em que Javier “saiu da sala, deixando Muath nas mãos do suposto agente do Mossad […] que ameaçou o jornalista palestino e sua família, dizendo que eles nunca teriam permissão para voltar à Palestina devido a uma de suas investigações jornalísticas “relacionada ao trabalho da agência de espionagem israelense”.

O Público solicitou comentários e esclarecimentos da Embaixada de Israel e da Guarda Civil, bem como do Ministério do Interior da Espanha. Não recebeu respostas.

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