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Países da América Latina restringem a entrada de brasileiros para conter covid-19

Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, terceiro maior aeroporto do Brasil com pouca movimentação de passageiros [Foto: Marcello Casal Jr /Agência Brasil]
Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, terceiro maior aeroporto do Brasil com pouca movimentação de passageiros [ Foto: Marcello Casal Jr /Agência Brasil]

Os países da América Latina estão decidindo fechar as fronteiras com o Brasil para evitar o contágio da variante brasileira do coronavírus e conter a pandemia. Nesta quinta-feira (1), os governos de Bolívia e Chile fecharam temporariamente as suas fronteiras com o Brasil. Peru e Argentina suspenderam voos vindos do Brasil.

Este mês de março foi o pior de toda a pandemia no Brasil, com 66,8 mil mortos no mês e mais de três mil óbitos por dia por covid-19.

Diante da gravidade da crise e aumento da cepa amazônica, o governo boliviano decretou o fechamento preventivo das fronteiras terrestres com o Brasil  a partir desta sexta (2), por sete dias. O presidente, Luis Arce, anunciou a decisão no Twitter:

“No marco das medidas para proteger a população, instruímos o fechamento temporário das fronteiras com o Brasil por sete dias. Os Ministérios da Saúde, do Governo da Bolívia e das Relações Exteriores providenciarão o fechamento temporário de outros pontos, com base na situação epidemiológica”

Ele também acrescentou que será feita quarentena nas cidades fronteiriças onde for verificada a “circulação de variantes covid-19”, “estabelecendo controles para sua mitigação, durante o tempo necessário.”.

A Argentina suspendeu no sábado (27) todos os voos vindos do Brasil, Chile e México. A preocupação é que o país seja contaminado com a variante brasileira do vírus, a P1. Os voos vindos do Reino Unido já estavam proibidos devido à variante inglesa. Argentina e Uruguai mantém todas as suas fronteiras fechadas e a entrada de estrangeiros proibida. O Peru restringiu os voos do Brasil em 26 de janeiro. A suspensão foi prorrogada até dia 15 de abril, quando a medida será reavaliada dependendo da evolução da pandemia.

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O Chile, que passa por um pico com média de 5,8 mil novos casos de covid-19 por dia, com uma população de 18,7 milhões de pessoas, fechou todas as suas fronteiras terrestres e aéreas durante abril, “tanto para estrangeiros quanto para chilenos”. As restrições vão valer a partir do dia 5 de abril, segunda-feira.

A situação da pandemia no Brasil fez com que o presidente colombiano, Iván Duque, cancelasse sua visita ao presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, que deveria ter acontecido no último dia 23. O país também decidiu por tempo indeterminado adiar a retomada de voos com o país, estão suspensos todos os voos provenientes de aeroportos brasileiros.

No último dia 22 a Venezuela alertou o perigo da crise no Brasil, afirmando que o país era uma ameaça para o mundo. O país decretou uma “quarentena radical” para conter a variante brasileira do coronavírus. Segundo o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, o Brasil é responsável pelo aumento de casos e segunda onda do vírus na Venezuela. Durante pronunciamento oficial, Maduro chamou Bolsonaro de irresponsável e lamentou o colapso do sistema de saúde brasileiro.

“É alarmante e angustiante ver os relatos de São Paulo, do Rio de Janeiro e de todo o Brasil. E [ver] a atitude irresponsável da direita trumpista brasileira, a atitude irresponsável de Jair Bolsonaro com o povo do Brasil. Estando no maior colapso, o Brasil se tornou a maior ameaça do mundo em relação à pandemia do novo coronavírus, assim já reconhecem os especialistas de todo o mundo. O Brasil é uma ameaça para o mundo hoje. Por culpa de quem? De Jair Bolsonaro.”, afirmou o presidente da Venezuela. Maduro ainda chamou de loucura o descaso de Bolsonaro com o uso de máscaras e sua insistência para que o Brasil não tenha quarentena em meio ao colapso e pior momento da pandemia no país.

A única fronteira com o Brasil que continua aberta é a do Paraguai, desde que os brasileiros apresentem teste PCR negativo realizado em no máximo 72 horas. Entretanto, a Sociedade Paraguaia de Infectologia apelou que novas medidas fossem tomadas diante da gravidade da pandemia no Brasil, eles afirmaram que não impor novas restrições era negligente.

Os países tentam controlar a entrada da variante Amazônica do covid-19, P1, que é mais contagiosa. Ela foi descoberta em Manaus e já foi encontrada em pelo menos quinze países, inclusive Bolívia, Chile, Venezuela, Uruguai, Colômbia e Paraguai.  No início de março, a Organização Pan-Americana da Saúde alertou que a lentidão das vacinações na América Latiina aumentariam o risco de surgimento de novas variantes que podem ameaçar a todos.

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