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Etiópia não tem justificativa para rejeitar mediação, afirma Sudão

Ministro de Recursos Hídricos e Irrigação do Sudão Yasser Abbas concede entrevista em seu escritório na capital Cartum, 6 de fevereiro de 2021 [Ebrahim Hamid/AFP via Getty Images]
Ministro de Recursos Hídricos e Irrigação do Sudão Yasser Abbas concede entrevista em seu escritório na capital Cartum, 6 de fevereiro de 2021 [Ebrahim Hamid/AFP via Getty Images]

O Ministro de Recursos Hídricos e Irrigação do Sudão Yasser Abbas afirmou nesta segunda-feira (22) que a Etiópia não tem qualquer argumento forte para opôr-se à proposta de mediação quadripartite sobre a Represa do Renascimento, reportou a agência Anadolu.

Os comentários de Abbas foram feitos durante os eventos do Dia Mundial da Água, em 22 de março, transmitidos pela televisão estatal sudanesa.

Em meados deste mês, o Sudão propôs que ONU, União Europeia, Estados Unidos e União Africana mediassem a questão, com apoio do Egito.

“A Etiópia é incapaz de justificar seu rechaço à mediação”, argumentou Abbas. “Insistimos em dar uma chance a especialistas da União Africana para construir uma ponte entre as partes em disputa, mas Addis Ababa recusou-se a fazê-lo”.

Abbas descreveu a negativa etíope como surpresa.

“Acreditamos que esta proposta é excelente para superar divergências”, reiterou.

LEIA: Etiópia insiste em tutela da União Africana para negociar barragem

Oficiais sudaneses exortaram a Etiópia a aceitar o princípio de mediação para fechar um acordo vinculativo justo sobre a Represa do Renascimento, ao cumprir prerrogativas dos três países — Etiópia, Egito e Sudão — e priorizar a cooperação para além da disputa.

Segundo a agência de notícias oficial etiópe, no sábado (20), Ibrahim Idris, membro da equipe de negociação enviada por Addis Ababa, descreveu o quarteto de mediação como “truque proposto a fim de frustrar o preenchimento do segundo reservatório da barragem”.

Na última quinta-feira (18), o Ministério de Relações Exteriores do Egito lamentou o uso da “linguagem de soberania” por oficiais etíopes em declarações recentes sobre a Grande Represa do Renascimento, construída pela Etiópia na bacia hidrográfica do Nilo.

A chancelaria egípcia destacou que rios internacionais, como o Nilo, são “propriedade comum dos países ribeirinhos” e ninguém pode estender soberania a eles.

A Etiópia insiste em preencher seu reservatório em julho, mesmo que não haja um acordo assinado com Cairo e Cartum. O Sudão reivindica um acordo tripartite antes da medida, a fim de preservar o fluxo anual de águas do Nilo aos países a jusante.

A disputa sem fim entre Egito, Sudão e Etiópia sobre a Grande Represa do Renascimento [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

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