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Marrocos recebeu secretamente armas de Israel anos antes da normalização, segundo Haaretz

O diretor-geral da Agência de População e Imigração de Israel, Shlomo Mor-Yosef (esq.) e o ministro delegado do Ministro das Relações Exteriores do Marrocos, Mohcine Jazouli, assinam um acordo no Palácio Real, na capital marroquina, Rabat, em 22 de dezembro de 2020. [Fadel Senna/AFP via Getty Imagens]
O diretor-geral da Agência de População e Imigração de Israel, Shlomo Mor-Yosef (esq.) e o ministro delegado do Ministro das Relações Exteriores do Marrocos, Mohcine Jazouli, assinam um acordo no Palácio Real, na capital marroquina, Rabat, em 22 de dezembro de 2020. [Fadel Senna/AFP via Getty Imagens]

Um jornal hebraico lançou luz sobre as “relações militares secretas” entre Marrocos e Israel, que começaram muitos anos antes da assinatura do acordo de normalização em dezembro de 2020.

O pesquisador Jonathan Hempel, especialista em exportação militar e de segurança israelense, revelou em artigo publicado pelo Haaretz que as exportações militares israelenses eram secretamente entregues ao Marrocos.

Hempel acrescentou que, na década de 1970, Israel despachou tanques para o Marrocos e, de 2000 a 2020, funcionários de ambos os países fizeram uma série de visitas secretas e não confidenciais.

Segundo o pesquisador, as relações entre os dois países têm se concentrado principalmente na cooperação em inteligência e na venda de armas. Israel vendeu sistemas militares marroquinos, sistemas de comunicação militar e sistemas de vigilância (como sistemas de radar para aeronaves de combate) por meio de terceiros.

Ele acrescentou que a Força Aérea Real Marroquina comprou três drones Heron fabricados pela Israel Aerospace Industries em 2013 ao custo de US$ 50 milhões.

O pesquisador destacou que Israel forneceu ajuda militar ao Marrocos para combater os “rebeldes do Grande Saara”, descrevendo as novas aeronaves adquiridas pelo reino como parte de uma longa história de venda de armas.

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Hempel indicou que o Marrocos também recebe assistência israelense na área de vigilância digital, observando que a Amnistia Internacional informou que, em 2017, Marrocos começou a usar o spyware da empresa israelense NSO Group para rastrear e coletar informações sobre jornalistas e ativistas de direitos humanos.

Ele ainda divulgou que o Marrocos também adquiriu o drone que Israel usou para atacar a Faixa de Gaza. O especialista explicou que muitas vezes Israel não publica informações oficiais sobre negócios de armas.

Vale lembrar que o Marrocos é o quarto país árabe a assinar recentemente um acordo de normalização com Israel sob os auspícios dos Estados Unidos, depois de Emirados Árabes, Bahrein e Sudão.

Em dezembro passado, os dois países assinaram quatro acordos bilaterais com foco em voos diretos, gestão de recursos hídricos, isenção de visto para cidadãos dos dois países e incentivo ao investimento e ao comércio entre os eles.

Marrocos tem a maior comunidade judaica no norte da África (cerca de 3.000), enquanto cerca de 700.000 judeus de origem marroquina vivem em Israel.

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