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Argélia apela aos países do Sahel que usem recursos próprios para defesa

Manifestantes seguram bandeira argelina durante manifestação em Bordeaux, sudoeste da França, em 12 de dezembro de 2020 [Thibaud Moritz/ AFP via Getty Images]
Manifestantes seguram bandeira argelina durante manifestação em Bordeaux, sudoeste da França, em 12 de dezembro de 2020 [Thibaud Moritz/ AFP via Getty Images]

A Argélia apelou aos países africanos do Sahel para que realizem uma cooperação militar que depende exclusivamente das capacidades dos exércitos da região, que atualmente testemunha uma significativa presença militar francesa.

A informação foi proferida num discurso proferido pelo general Mohamed Kaidi, chefe do departamento de preparação do exército argelino, que representou o tenente-general Said Chengriha numa reunião de chefes de estado-maior dos exércitos da região do Sahel, realizada na terça-feira no Mali.

O Ministério da Defesa argelino anunciou em comunicado nesta quarta-feira que também participaram no encontro os chefes de estado-maior de três países da região (Mali, Mauritânia e Níger): “Para estudar e avaliar a situação da segurança na região e trocar análises”.

Os exércitos dos quatro países estão coordenando esforços para combater o terrorismo e o crime organizado na região, como parte do Comitê Conjunto de Estado-Maior (CEMOC) criado em 2010.

Durante a reunião, Kaidi sublinhou “a necessidade de unificar esforços no âmbito de uma cooperação clara e aberta entre os Estados membros, com base no intercâmbio de informações e coordenação de ações em ambos os lados da fronteira, dependendo em primeiro lugar das capacidades internas e meios.”

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Afirmou também o empenho de seu país em manter a cooperação dentro do grupo de países: “Trocar livremente análises e opiniões sobre temas relacionados com a segurança de nossa região”.

A Argélia é o único entre os países da região do Sahel que se recusou a aderir à coalizão contra o terrorismo criada pela França em 2017, que inclui Mali, Níger, Mauritânia, Chade e Burkina Faso.

Ao longo dos anos, a Argélia tem reiterado a importância de rejeitar qualquer intervenção militar estrangeira para enfrentar as crises de segurança da região.

Durante uma visita do Chefe do Estado Maior da Mauritânia, Mohamed Bemba Muqit, à Argélia no início de janeiro, Chengriha destacou “a importância de fazer uso dos mecanismos de cooperação de segurança disponíveis, especialmente o CEMOC,” com sede em Tamanrasset, no sul da Argélia.

O oficial argelino identificou a natureza desta cooperação como: “Troca de informações e ações de coordenação em ambos os lados das fronteiras comuns dos Estados membros.”

No início de 2013, a França lançou a Operação Serval para conter as atividades de milícias na costa africana e, em 2014, iniciou a ainda em andamento Operação Barkhane, destacando cerca de 5.000 soldados para atuar na área.

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