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Bahrein recua e não permitirá importações de assentamentos israelenses

Voluntários cristãos evangélicos colhem uvas Chardonnay no assentamento ilegal de Psagot, na Cisjordânia ocupada, 24 de julho de 2017 [David Silverman/Getty Images]
Voluntários cristãos evangélicos colhem uvas Chardonnay no assentamento ilegal de Psagot, na Cisjordânia ocupada, 24 de julho de 2017 [David Silverman/Getty Images]

O Bahrein recuou de sua promessa de aceitar a importação de bens fabricados nos assentamentos ilegais israelenses, declarou a agência estatal de notícias BNA no sábado (5).

O Ministro de Turismo e Comércio do Bahrein Zayed Al-Zayani anunciou na última semana que o estado do Golfo não faria distinção entre produtos fabricados em Israel ou bens confeccionados nos assentamentos ilegais na Palestina ocupada.

Segundo a Reuters, Al-Zayani declarou na quinta-feira (3): “Trataremos produtos israelenses como produtos israelenses. Assim, não temos questão sobre rótulo ou origem”.

No dia seguinte, contudo, uma nota atribuída a uma fonte oficial do ministério barenita desmentiu os comentários do responsável pela pasta.

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“A declaração do ministro foi mal interpretada e o ministério está comprometido com a postura resoluta do governo do Bahrein sobre sua aderência a resoluções das Nações Unidas”, declarou o comunicado, divulgado pela BNA.

O Ministro de Relações Exteriores da Autoridade Palestina Riyad Al-Maliki afirmou à Reuters que sua contraparte barenita também desmentiu as alegações, via telefonema.

“Os supostos comentários … contradizem totalmente a posição de apoio do Bahrein à causa palestina”, comentou o gabinete de Al-Maliki.

A iminente abertura do mercado barenita à importação de produtos oriundos dos assentamentos ilegais israelenses foi condenada amplamente.

O movimento civil de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) declarou repúdio ao reconhecimento oficial de bens fabricados nos assentamentos, ao classificá-los como “crimes de guerra”, reportou a rede Quds Press.

Mahmoud Nawajaa, coordenador do BDS, também criticou duramente a nova postura do estado do Golfo: “Trata-se de uma violação flagrante em relação à posição árabe e islâmica e envolve o Bahrein, segundo a lei internacional, nos crimes israelenses”.

Na sexta-feira, Nawajaa reiterou que a decisão “revela a dimensão dos esforços barenitas para executar a agenda do atual governo dos Estados Unidos e do Primeiro-Ministro de Israel Benjamin Netanyahu.”

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O Bahrein normalizou laços com Israel em 15 de setembro, junto dos Emirados Árabes unidos, via acordo mediado por Washington.

Os estados do Golfo alegam que tais acordos foram condicionados à suspensão dos planos israelenses para anexar ilegalmente terras da Cisjordânia ocupada. Contudo, Netanyahu já desmentiu tais alegações, ao anunciar que a anexação foi apenas adiada.

Diretrizes da União Europeia e, até recentemente, dos Estados Unidos determinam que os produtos oriundos dos assentamentos israelenses devem ser claramente rotulados como fabricados na Cisjordânia ou Faixa de Gaza.

Em novembro, a gestão do atual presidente americano Donald Trump removeu a distinção, em resposta a uma carta aberta assinada por um grupo de senadores republicanos.

A carta exigia do governo Trump que bens produzidos na Cisjordânia pudessem ser rotulados como “Made in Israel”, em detrimento da política histórica de marcar os produtos por sua origem em assentamentos ilegais, conforme os termos da lei internacional.

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