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Pela primeira vez, uma mulher preside sessão do parlamento saudita

Hanan al-Ahmadi, indicada como nova assistente do chefe da câmara

A Assembleia Consultiva da Arábia Saudita – ou Conselho de Shura –, corpo legislativo sem poder real dentro da monarquia absoluta, fez alguma história na manhã de hoje (4), ao permitir que uma mulher presidisse uma sessão virtual, pela primeira vez.

Hanan al-Ahmadi, indicada como nova assistente do chefe da câmara, conforme decreto real emitido em outubro, liderou a sessão na ausência do presidente do parlamento Abdullah al Sheikh e seu vice-presidente Mishaal al Sulami.

Al-Ahmadi é especialista em economia e administração de saúde pela Universidade Rei Saud e pela Universidade de Pittsburgh. Foi uma das primeiras mulheres indicadas ao Conselho de Shura, há sete anos atrás.

Os sauditas propagaram a notícia como exemplo de mais um marco histórico nos esforços de modernização da monarquia islâmica.

“Quando nosso rei indicou a dra. Hanan a um cargo de alto escalão, jamais mantido por uma mulher, o sentimento foi de empoderamento e muitas meninas passaram a sonhar”, declarou Shahd Alghamdi, estudante de direito em Riad, segundo o jornal The National.

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Prosseguiu: “Agora sabemos que podemos alcançar novos marcos e desejamos conquistá-los e trabalhar mais duro para orgulhar nossas famílias e nosso país”.

Faisal al Fadel, membro da assembleia consultiva, afirmou que a presidência da sessão por Al-Ahmadi representa um evento histórico que é parte do projeto Visão 2030 da Arábia Saudita, que supostamente inclui o empoderamento e investimento nas capacidades femininas.

Diante da indignação global sobre o tratamento saudita a ativistas mulheres e outros críticos do regime, é provável que a ascensão particular de Al-Ahmadi seja vista como um passo adiante para dois passos atrás.

Dezenas de ativistas mulheres foram presas no país desde maio de 2018, semanas antes do regime suspender uma proibição de décadas ao direito feminino de dirigir. Muitas prisioneiras lançaram greve de fome, em outubro último, como protesto às condições prisionais.

Um relatório de novembro denunciou que as ativistas presas são submetidas a tortura e forçadas a realizar “atos sexuais” em custódia do regime.

Dentre as mulheres presas, o suplício de Loujain al-Hathloul atraiu indignação global. Recentemente, o Departamento de Estado dos Estados Unidos expressou preocupações sobre o fato de seu caso ser submetido às cortes de terrorismo do reino.

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