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222 parlamentares europeus exortam Sisi do Egito a libertar prisioneiros políticos

Manifestantes exibem cartazes por ‘Democracia no Egito’ e pela libertação de ‘41 presos políticos no Egito’, diante da chegada do presidente egípcio Abdel Fattah el-Sisi para reunião com sua contraparte alemã, em frente ao Palácio Bellevue, em Berlim, Alemanha, 3 de junho de 2015 [John MacDougall/AFP/Getty Images]
Manifestantes exibem cartazes por ‘Democracia no Egito’ e pela libertação de ‘41 presos políticos no Egito’, diante da chegada do presidente egípcio Abdel Fattah el-Sisi para reunião com sua contraparte alemã, em frente ao Palácio Bellevue, em Berlim, Alemanha, 3 de junho de 2015 [John MacDougall/AFP/Getty Images]

Duzentos e vinte e dois membros do Parlamento Europeu enviaram uma carta aberta ao presidente egípcio Abdel Fattah el-Sisi nesta quarta-feira (21), a fim de expressar “profunda preocupação sobre a contínua detenção de prisioneiros de consciência no Egito”.

Os parlamentares europeus exortam Sisi a interromper as severas represálias contra ativistas de direitos humanos.

As informações são da rede alemã Deutsche Welle (DW).

A carta foi emitida dois dias após 56 membros do Congresso dos Estados Unidos realizarem apelo semelhante a Sisi, destacando que violações de direitos humanos no Egito não serão toleradas caso Joe Biden vença as eleições presidenciais, em novembro próximo.

Sisi é aliado do candidato republicano e atual Presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que já descreveu o presidente egípcio como “meu ditador favorito”.

A carta americana também exortou a libertação de diversos prisioneiros políticos, sob risco de sanções caso a mensagem seja ignorada pelas autoridades egípcias.

Libertação de presos políticos

Os parlamentares europeus afirmaram em carta: “No momento, quando riscos de saúde são exacerbados pela epidemia de covid-19, exortamos o senhor que priorize os direitos humanos dos prisioneiros e imediatamente liberte aqueles detidos injustamente.”

A carta abordou ainda a prisão do ativista político Ramy Shaath, detido há mais de um ano sem qualquer acusação registrada, além do ativista Alaa Abdelfattah e sua irmã Sanaa Seif.

Outros prisioneiros citados são os advogados de direitos humanos Muhammad Al-Baqir, Ziad Al-Alimi, Mahienour Al-Masry, Haitham Muhammadin e Ibrahim Metwally, além dos acadêmicos Patrick Zaki e Ibrahim Ezz El-Din, e dos jornalistas Israa Abdel Fattah, Solafa Magdy, Hussam El-Sayed e Mahmoud Hussein.

A carta corrobora uma nota conjunta publicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos (OHCHR) e Programa das Nações Unidas contra o HIV/AIDS (UNAIDS), demandando a soltura de presos políticos para reduzir a superlotação nas prisões.

A infame Prisão do Escorpião, no Cairo, Egito [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

A infame Prisão do Escorpião, no Cairo, Egito [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

Fim das represálias

Os signatários reiteraram: “Garantir os direitos fundamentais e as liberdades estipuladas pela Constituição do Egito e por tratados de direitos humanos internacionais, que todos assinamos, é base necessária para esta parceria entre União Europeia e Egito”.

A carta reiterou que a detenção continuada de prisioneiros de consciência no país norte-africano não apenas prejudica interesses em comum, como abala os próprios alicerces das relações bilaterais.

Segundo diversas organizações de direitos humanos, incluindo o Human Rights Watch (HRW), a situação dos presos no Egito deteriorou-se com a pandemia de coronavírus, que infectou e resultou na morte de um número impreciso de detentos, devido à superlotação, péssimas condições sanitárias e falta deliberada de tratamento médico.

Em meados de agosto, Essam El-Erian, líder da Irmandade Muçulmana, morreu na prisão.

Organizações de direitos humanos estimam haver atualmente cerca de 60.000 prisioneiros políticos no Egito.

Os parlamentares europeus concluíram ao exigir do presidente egípcio que dê fim às represálias brutais contra ativistas de direitos humanos, além de libertá-los das prisões. A carta fez referência específica a Bahey Eldin Hassan, condenado a quinze anos de prisão in absentia, por criticar o governo do Egito.

LEIA: Autoridades pedem 2 milhões EGP a empresários egípcios, para apoiar atos pró-Sisi

O alerta dos Estados Unidos

O jornal americano The Washington Post reportou no domingo (18) que 56 membros do Congresso dos Estados Unidos enviaram uma carta no dia seguinte a Sisi, para advertí-lo sobre eventuais sanções contra os reiterados abusos de direitos humanos.

A carta americana exortou o presidente egípcio a libertar opositores e ativistas, conforme direitos humanos fundamentais, além de alertar sobre a propagação do covid-19 dentro das prisões do país.

A mensagem asseverou: “Não deveriam estar aprisionados, em primeiro lugar”.

Rohit Khanna, congressista democrata da Califórnia, sugeriu indícios claros de que, com a possível mudança de administração nos Estados Unidos, a abordagem poderá ser bastante distinta em termos de política internacional, em particular, sobre o Oriente Médio.

Destacou Khanna: “Isso significa que nossas relações com o Egito serão revistas a partir de uma perspectiva de direitos humanos e voltaremos a priorizar os direitos humanos”.

O parlamentar esclareceu que a motivação imediata para esta carta foi a severa repressão das forças de segurança do Egito contra ativistas pró-democracia e opositores políticos, ao longo das últimas semanas.

Mais de 900 pessoas foram presas desde 20 de setembro, após manifestações populares contra o regime de Sisi em diversas regiões do país norte-africano, segundo a Comissão do Egito para Liberdades e Direitos Humanos (ECRF).

Milhares de opositores políticos, ativistas de direitos humanos e advogados pró-democracia continuam detidos nas prisões do Egito, política amplamente condenada por diversas instituições internacionais. Contudo, os apelos pela soltura dos presos é ignorado pelo Cairo.

LEIA: Os protestos populares no Egito contra Sisi romperam a barreira do medo

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