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Netflix pode transmitir ‘pornô’ na Arábia Saudita, mas não críticas ao príncipe

Reed Hastings, codiretor executivo do serviço de streaming Netflix, reconheceu que a Arábia Saudita permitiu que programas como Queer Eye, Sex Education e Orange is the New Black fossem transmitidos no país ultraconservador, desde que a empresa removesse um episódio do talk show Patriot Act, apresentado por Hasan Minhaj.

O controverso episódio em questão apresenta uma de crítica ao príncipe herdeiro e governante de fato da Arábia Saudita Mohammed Bin Salman, por seu papel no assassinato do jornalista dissidente Jamal Khashoggi.

Khashoggi, radicado nos Estados Unidos, foi morto por oficiais dentro do consulado saudita em Istambul, Turquia, outubro de 2018.

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Em entrevista à rede CNN, para debater censura e direitos humanos, Hastings declarou tratar-se de “decisão muito difícil”, mas reiterou que o episódio em questão ainda está disponível em território saudita via YouTube, apesar de ser retirado do catálogo do Netflix a pedido da monarquia, por supostamente violar suas leis.

O Netflix, portanto, ainda tem permissão para transmitir conteúdos considerados “pornográficos” ou (ao menos) inapropriados no país ultraconservador. Hastings descreveu a decisão como “meio-termo incômodo”, abordada com seriedade.

Em agosto, Hasan Minhaj anunciou o fim de seu talk show de comédia, após quase dois anos de gravações. Em resposta à remoção do episódio em território saudita, comentou no Twitter: “Claramente, a melhor forma de impedir as pessoas de assistir algo é proibí-lo, torná-lo tendência online e então manter no YouTube.”

“Não nos esqueçamos que a maior crise humanitária do mundo está acontecendo agora mesmo no Iêmen”, prosseguiu Minhaj, ao convocar seus seguidores a doações destinadas aos esforços assistenciais do Comitê de Resgate Internacional.

O Netflix foi alvo ainda de maiores controvérsias devido ao recente lançamento do filme francês Cuties (Mignonnes, no original), acusado por muitos usuários de “promover pedofilia” ao sexualizar a imagem de meninas pré-adolescentes.

A hashtag #CancelNetflix tomou o Twitter; usuários em massa ameaçaram cancelar seu cadastro. No início de setembro, um monitor de mídia da Turquia exigiu que o Netflix removesse o filme do catálogo. A produção foi enfim lançada internacionalmente, na plataforma de streaming, em 9 de setembro.

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