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Palestinos manufaturam máscaras para Israel ao invés de roupas devido ao coronavírus

Trabalhadores palestinos produzem máscaras de proteção em uma fábrica de sapatos devido ao coronavírus, na cidade de Hebron (Al-Khalil), Cisjordânia ocupada, em 14 de março de 2020 [Mosab Shawer/Apaimages]

Após o surto global do novo coronavírus, altamente contagioso, uma empresa palestina de tecelagem está produzindo máscaras cirúrgicas e outros itens de prevenção ao invés de vestuário para exportá-los a Israel, segundo informações do jornal Times of Israel.

A fábrica UniPal 2000 na Zona Industrial de Karni, na Cidade de Gaza, reúne quatro manufaturas de tecelagem com capital de US$1.2 milhões e 200 trabalhadores.

O presidente da empresa Nabil Bawab, de 59 anos, afirmou que a fábrica realizou a transição no início de março e está produzindo desde então milhares de máscaras e roupas de proteção diariamente.

Bawab afirmou ter assinado contratos com parceiros comerciais israelenses para fornecer um milhão de máscaras e 50.000 roupas de proteção até o fim de abril. Além disso, a empresa está negociando com organizações médicas locais e internacionais em Gaza para também conceder seus produtos.

Bawab anunciou que sua empresa está vendendo máscaras a Israel por 5 shekels cada (US$1.4) e roupas de proteção por 12 shekels cada (US$3.35).

“Jamais paramos de produzir roupas, mesmo durante todos os tempos difíceis”, relatou Bawab. “Mas quando veio o vírus, decidimos fazer algo para proteger as pessoas … Precisamos de mais espaço para garantir que nossos trabalhadores mantenham distância. Esperamos fazer 25.000 máscaras todo dia até o fim do mês.”

Em 2007, diversas fábricas fecharam devido ao início do severo cerco egípcio-israelense imposto à Faixa de Gaza, que incluiu fechamento de todas as fronteiras que permitiam movimento e transporte de bens ao território palestino.

Segundo o jornal israelense, o Coordenador de Atividades Governamentais nos Territórios não respondeu aos múltiplos pedidos para comentar se está ciente das medidas assumidas pela fábrica palestina referentes ao envio de itens médicos a Israel.

Entretanto, Bawab afirmou que as autoridades israelenses, que mantêm restrições significativas sobre o movimento de pessoas e bens para dentro e fora de Gaza, buscaram cooperar efetivamente com sua empresa na exportação destes itens.

“No que se refere a questões de saúde, decidem trabalhar conosco”, concluiu Bawab.

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