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Deputadas Tlaib e Omar, dos EUA, são proibidas de entrar em Israel

Deputada dos EUA, Ilhan Omar, em Minnesota, EUA em 4 de outubro de 2016 [Lorie Shaull / Flickr]

As congressistas norte-americanas Rashida Tlaib e Ilhan Omar foram proibidas de entrar em Israel.

De acordo com relatos do Canal 12 de Israel, o ministro do Interior Aryeh Deri decidiu proibir as congressistas de Michigan e Minnesota de seguirem adiante com uma viagem a Israel e aos territórios palestinos ocupados, que deveria ocorrer neste fim de semana.

A decisão ocorre após semanas de especulações sobre a proibição ou não à dupla de entrar em Israel sob a lei anti-BDS, que proíbe partidários do movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) de entrarem no país.

Tanto Omar quanto Tlaib defenderam repetidamente o direito dos cidadãos norte-americanos de “participar de boicotes em busca de direitos civis e humanos”, apresentando uma resolução nesse sentido ao Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos. Embora a resolução não mencionasse Israel ou BDS pelo nome, a iniciativa foi vista como uma tentativa de combater os esforços de vários estados dos EUA de banir o apoio ao movimento.

As confressistas também sempre criticaram o governo israelense por sua ocupação contínua dos territórios palestinos e pediram “justiça” e “paz duradoura” na Faixa de Gaza sitiada .

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, há muito vem ponderando se deve proibir a dupla por suas posições francas.

O primeiro-ministro realizou ontem consultas com alguns dos principais funcionários do país – incluindo Deri, o ministro das Relações Exteriores, Yisrael Katz, o ministro de Assuntos Públicos e Segurança Pública, Gilad Erdan, o assessor de segurança nacional, Meir Ben-Shabbat, e o procurador-geral Avichai Mandelblit.

A congressista norte-americana, Rashida Tlaib, ao discursar em evento realizado pelo Conselho de Relações Americano-Islâmicas (CAIR) em Washington DC, Estados Unidos. Em 10 de janeiro de 2019 [Agência Safvan Allahverdi/Anadolu]

Um alto funcionário israelense próximo às deliberações de ontem disse ao Haaretz que a reunião não resultou em uma decisão final sobre a visita. Segundo ele, Netanyahu pensava em negar uma visita política da dupla, mas em talvez permitir que Tlaib – que tem família na Cisjordânia ocupada – possa entrar para visitá-los.

Como ministro do Interior, Deri finalmente tem a palavra final sobre se Tlaib e Omar podem entrar no país.

A decisão chocante desta quinta-feira contradiz as garantias anteriores dadas pelo embaixador de Israel nos EUA, Ron Dermer, de que Tlaib e Omar não seriam impedidas de entrar “por respeito ao Congresso dos EUA e à grande aliança entre Israel e a América”.

No entanto, aparentemente Netanyahu foi pressionado pela administração do presidente dos EUA, Donald Trump, que supostamente forçou seu aliado regional a não permitir que a viagem fosse adiante.

No início desta semana, o site norte-americano Axios revelou que o presidente Trump disse a seus assessores que achava que Netanyahu deveria usar a lei anti-BDS de Israel para impedir que Tlaib e Omar entrassem no país, dizendo que “se eles querem boicotar Israel, Israel deveria boicotá-los” ”

Trump negou posteriormente ter apoiado Israel. A secretária de imprensa da Casa Branca, Stephanie Grisham, descartou o relato do Axios como “notícia falsa”. “O governo israelense pode fazer o que quiser”, acrescentou Grisham.

O presidente é um crítico ardoroso de Omar e Tlaib; No mês passado. ele lançou um ataque virulento contra Omar e outras congressistas não brancas – grupo conhecido como “The Squad” – dizendo-lhes para “voltar e ajudar a consertar os lugares totalmente quebrados e infestados de crime de onde vieram”. Trump também exigiu que elas “peçam desculpas” a Israel pelas “coisas terríveis que disseram”.

A hashtag #IStandWithIlhan tornou-se, em seguida, tendência na mídia social, com políticos, jornalistas e celebridades expressando apoio à deputada.

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