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Turquia cancela acordo sobre imigrantes com a UE devido à não liberação de vistos de viagem

Ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Mevlut Cavusoglu, ao falar durante uma conferência de imprensa conjunta realizada com o Ministro dos Negócios Estrangeiros da França, Jean-Yves Le Drian, após a sua reunião em Ancara, Turquia, em 13 de junho de 2019. [Evrim Aydın - Agência Anadolu]

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia anunciou que o seu governo não mais deixará que vigore o importante acordo de migrantes acordado com a União Europeia, devido à negativa continuada de liberação de vistos para as viagens dos cidadãos turcos.

“Não vamos esperar às portas da UE”, disse Mevlut Çavuşoğlu ao canal de notícias turco TGRT Haber na segunda-feira. “A renovação do tratado e o acordo de isenção de vistos serão efetivados ao mesmo tempo.”

A Turquia e o bloco regional assinaram o acordo em 2016 como uma solução para o rápido afluxo de refugiados para a Europa, a maioria dos quais passou pela Turquia. Como parte do acordo, a UE prometeu fornecer um total de 6 bilhões de euros em ajuda financeira ao país, e garantiu que os cidadãos turcos receberiam isenção de visto para os países membros da UE.

A Turquia tem sido um dos principais países a acolher refugiados sírios – Cartoon [Monitor do Oriente Médio]

Em troca da ajuda e da facilidade nas restrições de viagem, a Turquia concordou em interromper o afluxo de refugiados e migrantes para a Europa, adotando medidas mais rigorosas contra os traficantes de seres humanos, desestimulando os métodos perigosos de migração através do Mar Egeu e melhorando as condições pelas quais 3 bilhões de refugiados dentro do país podem viver e prosperar. Apesar dos esforços feitos no lado turco e do controle bem-sucedido do fluxo de refugiados, a UE até agora não conseguiu cumprir seus compromissos sob o acordo.

Çavuşoğlu também abordou a recente especulação sobre a suposta mudança na política da Turquia, insistindo que o país não deixará a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), mas que tomará novos e independentes avanços em sua política externa. “Esperar na porta da UE por mais 50 anos não é possível para a Turquia”, disse ele. “Vamos anunciar nossas novas iniciativas em política externa no início de agosto.”

Hoje, a UE respondeu aos comentários de Çavuşoğlu e ao anúncio de que o acordo de refugiados deixa de vigorar. A porta-voz adjunta da Comissão Européia, Natasha Bertaud, afirmou durante uma reunião em Bruxelas que os dois lados ainda estão comprometidos em implementar o acordo, e que a viagem sem exigência de visto será concedida à Turquia se o país continuar a cumprir sua parte do acordo.

Ao longo das últimas cinco décadas, a Turquia teve um relacionamento longo e complexo com a UE, tendo aderido ao bloco em 1963, ficando sujeita desde então a condição após condição, com novas restrições impostas a cada vez que o assunto vinha à tona. .

As relações entre os dois também se tornaram particularmente tensas após a recente disputa em curso sobre a perfuração, pela Turquia, nas reservas de gás natural no leste do Mediterrâneo, ao largo da costa de Chipre. A UE impôs sanções à Turquia nesta semana.

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