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Netanyahu promete jamais desmantelar os assentamentos ilegais israelenses

Primeiro-Ministro de Israel Benjamin Netanyahu [Menahem Kahana/AFP/Getty Images]

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, prometeu jamais desmantelar os assentamentos ilegais de Israel na Cisjordânia ocupada.

Ao discursar ontem em um evento no assentamento de Revava – parte do bloco de assentamentos Ariel, localizado à beira da Rota 60, ao sul de Nablus –, Netanyahu prometeu que nenhum assentamento israelense na Cisjordânia será desinstalado enquanto permanecer como primeiro-ministro.

“Nenhuma comunidade será extraída,” Netanyahu enfatizou, “nenhuma comunidade judaica; aliás, nenhuma comunidade árabe também. Nós não extraímos pessoas. Já superamos esse absurdo. Israel, sob minha liderança, não retornou e não retornará aos nossos erros do passado.”

A promessa de Netanyahu de não expulsar os “árabes” provavelmente será considerada uma ironia, dado a rotina do governo de demolições de aldeias palestinas, tanto na Cisjordânia ocupada quando dentro de Israel. Al-Araqeeb – aldeia beduína localizada no deserto do Negev, sul de Israel – foi demolida 146 vezes, muitas das quais ocorreram sob o mandato de Netanyahu.

O governo de Netanyahu tentou demolir também Khan Al-Ahman – aldeia beduína localizada a leste de Jerusalém, na Cisjordânia ocupada. A resistência da aldeia ganhou atenção internacional no último ano, obrigando Israel a postergar a demolição repetidamente. O plano de demolição foi mais uma vez postergado até dezembro. Comentaristas acreditam que o adiamento é devido às novas eleições israelenses, marcadas para 17 de setembro; observadores políticos receiam que a extração da comunidade possa receber cobertura negativa da imprensa.

Netanyahu também falou de sua promessa anterior, feita durante a campanha para as eleições de abril. Na ocasião, o primeiro-ministro prometeu anexar a Cisjordânia caso fosse reeleito. “Estamos no caminho, estamos discutindo,” alegou Netanyahu. “Agora iremos adiante para a próxima fase, para gradualmente aplicar a soberania israelense [sobre a Cisjordânia].”

O primeiro-ministro acrescentou que está discutindo a anexação com o Presidente dos Estados Unidos Donald Trump, em um esforço para ganhar o apoio americano neste objetivo. Embora a administração de Trump não tenha se comprometido explicitamente com anexação proposta por Netanyahu, declarações internas feitas por oficiais de alto escalão levam a crer que Netanyahu terá o consentimento americano.

No mês passado, um dos diplomatas mais próximos de Trump, Jason Greenblatt, Representante Especial dos Estados Unidos para Negociações Internacionais, afirmou que prefere chamar os assentamentos ilegais israelenses na Cisjordânia de “bairros e cidades”.

Ao discutir o prospecto para a paz entre Israel e Palestina, Greenblatt declarou que “podemos chegar lá caso as pessoas parem de fingir que os assentamentos, ou como prefiro chamar, ‘bairros e cidades’, são a razão para o conflito.”

Vista aérea de um assentamento judaico em Jerusalém Oriental, 4 de outubro de 2018 [Mostafa Alkharouf/Agência Anadolu]

Também em junho deste ano, Greenblatt veio à público em apoio ao embaixador americano em Israel, David Friedman, que afirmou que Israel tem o “direito” de anexar a Cisjordânia. Friedman contou ao New York Times que “sob certas circunstâncias, penso que Israel tem o direito de manter alguma parte, provavelmente não tudo, da Cisjordânia.” A declaração de Friedman causou uma onda de repúdio internacional; em resposta, o Ministro de Relações Exteriores da Palestina afirmou considerar uma reclamação formal contra o embaixador do Tribunal Penal Internacional (TPI).

De sua parte, Greenblatt reiterou a postura de Friedman: “Deixarei os comentários de David falarem por si mesmos. Penso que foram ditos de forma elegante e eu os apoio.”

Desde que Israel ocupou a Cisjordânia, durante a chamada Guerra dos Seis Dias, em 1967, o estado israelense construiu mais de 500 assentamentos e postos avançados por todo o território. Estes assentamentos são considerados ilegais pela lei internacional, que proíbe a transferência de populações civis a territórios ocupados.

 

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