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Senado dos EUA mantém veto de Trump sobre o Iêmen, uma vitória de sua política pró-saudita

O Capitólio dos Estados Unidos em Washington DC, 22 de janeiro de 2018 [Mandel Ngan/AFP/Getty Images]

Quinta-feira (2), o Senado dos Estados Unidos decidiu manter o veto do Presidente Donald Trump a uma resolução que encerraria o apoio militar americano à coalizão liderada pela Arábia Saudita na guerra no Iêmen, o que representa uma vitória para a política da Casa Branca de continuar a salvaguardar a monarquia, conforme relata a agência Reuters.

A votação ficou em 53 a 45, pouco abaixo da maioria de dois-terços necessária para anular um veto, apesar da aliança de alguns republicanos da base de Trump com o bloco democrata, em apoio à resolução com base no Ato dos Poderes de Guerra

Este foi apenas o segundo veto aplicado pela presidência de Donald Trump, ambos este ano. Nenhum dos dois obteve os dois-terços, seja no Senado ou na Câmara dos Representantes, necessários à anulação.

A votação da resolução, no início de 2019, marcou a primeira vez em que tanto Senado quanto Câmara invocaram o Ato dos Poderes de Guerra, que limita a capacidade do presidente de enviar tropas a operações sem aprovação parlamentar.

Apoiadores da resolução afirmaram que seu objetivo é garantir a retomada do poder constitucional do Congresso de declarar guerra e enviar uma mensagem contundente à Arábia Saudita sobre as devastadoras baixas civis nos quatro anos de guerra civil no Iêmen.

“Auxiliamos materialmente os esforços de uma potência estrangeira de bombardear seus adversários. Por vezes, até mesmo civis inocentes presentes na área, nesse processo,” registrou o coautor da resolução, o Senador Republicano Mike Lee, antes de sua votação.

A guerra no Iêmen, que opõe a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos contra rebeldes houthis apoiados pelo Irã, matou dezenas de milhares de pessoas e espalhou o que é considerado pela ONU como a mais catastrófica crise humanitária, com o país à beira da fome.

Muitos membros do Congresso também passaram a reagir, com crescente frustração em relação à Arábia Saudita, devido ao seu histórico de direitos humanos, indignados com o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, americano residente e colunista do The Washington Post, no consulado na Turquia, em outubro do ano passado.

Oficiais sauditas rejeitaram as acusações de que o Príncipe herdeiro Mohammed bin Salman teria ordenado o assassinato.

Opositores à resolução argumentaram que o apoio à coalizão saudita não justificava o uso do Ato dos Poderes de Guerra, por focar em assistência e não em tropas.

“A premissa dessa resolução é fundamentalmente equivocada e acredito na deturpação do que de fato ocorre em território iemenita,” afirmou o Senador Republicano Jim Risch antes do voto.

Presidente do Comitê de Relações Internacionais, Risch está elaborando uma legislação para lidar com a situação na Arábia Saudita. Ele se recusou a discutir eventuais cláusulas específicas da medida, mas declarou esperar apresentá-la em maio, com o intuito de chegar a uma proposta que possa ser aprovada tanto pelo Senado controlado pelos Republicanos quanto pela Câmara controlada pelos Democratas, e então assinada por Trump, não vetada.

Em meio à indignação internacional sobre as baixas civis no conflito iemenita, a administração de Donald Trump interrompeu, no último ano, o fornecimento de combustíveis às forças aéreas sauditas no Iêmen.

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