clear

Criando novas perspectivas desde 2019

Fundo de População da ONU alerta que mais de 13 mil gestantes não têm acesso a cuidados essenciais de saúde em Taiz, no Iêmen

3 de novembro de 2026, às 13h45

Famílias deslocadas que fugiram de suas casas na região de Kadha, no oeste da província de Taiz, no Iêmen, devido aos confrontos entre forças ligadas ao governo iemenita e forças houthis apoiadas pelo Irã, lutam para sobreviver em acampamentos temporários onde há escassez de necessidades básicas, em Al-Maafer, Taiz, Iêmen, em 16 de setembro de 2026. [Marwan Abdullah Yahya Saeed Al-shabi – Agência Anadolu]

Mais de 13 mil gestantes na região de Taiz, no Iêmen, não têm acesso a cuidados essenciais de saúde, enquanto a intensificação dos combates interrompe os serviços médicos. O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) fez o alerta na terça-feira, manifestando preocupação com o possível fechamento da principal maternidade da cidade, informa a Agência Anadolu.

Francesco Galtieri, representante do UNFPA no Iêmen, disse a jornalistas em Genebra, por videoconferência a partir de Aden, que quase 300 mil pessoas foram deslocadas desde agosto, e que o número de deslocados da costa oeste e de Taiz triplicou.

Ele afirmou que mais da metade dos deslocados são mulheres e crianças, enquanto as mulheres chefiam 33% das famílias deslocadas.

Dos 27 hospitais designados para atendimento de emergência materna e neonatal, apenas cinco continuam funcionando parcialmente, deixando mais de 147 mil mulheres e meninas em idade reprodutiva com acesso extremamente limitado a serviços essenciais para salvar vidas.

Entre as pessoas afetadas estão 1.500 gestantes que devem dar à luz nas próximas duas semanas, segundo o representante.

Na principal maternidade de Taiz, o número de partos diários caiu de 10 para cinco, enquanto a quantidade de incubadoras em funcionamento diminuiu de 40 para 10 devido à escassez de combustível.

Galtieri alertou que o Hospital Sueco de Maternidade e Infância, em Taiz, apoiado pelo UNFPA, poderá fechar caso as restrições de acesso não sejam suspensas nos próximos dias.

Ele afirmou que 75% dos serviços de proteção foram suspensos devido à falta de financiamento, às dificuldades de acesso e às limitações de pessoal.

“Nenhuma mulher deveria ter que arriscar a vida simplesmente por estar dando à luz uma nova vida em uma zona de guerra”, declarou.

O UNFPA já prestou assistência emergencial a mais de 182 mil pessoas, mas Galtieri ressaltou que o acesso humanitário seguro continua sendo uma necessidade urgente.

“Atualmente, começamos a observar grandes problemas com o acesso à água potável, assim como com os alimentos”, afirmou, observando que a desnutrição é evidente e que está aumentando o número de gestantes que vivem consumindo apenas “uma xícara de chá e talvez um pouco de arroz por dia”.

Galtieri disse que a entrega de suprimentos essenciais continua sendo um desafio porque as estradas montanhosas do Iêmen são difíceis de percorrer com caminhões, especialmente no transporte de grandes volumes de materiais de ajuda humanitária.

O Iêmen está mergulhado em um conflito desde 2014, quando as forças houthis tomaram a capital, Sanaa, levando a uma intervenção militar liderada pela Arábia Saudita em março de 2015, em apoio ao governo internacionalmente reconhecido.

O conflito desencadeou uma das piores crises humanitárias do mundo, deixando milhões de pessoas dependentes da assistência humanitária. Os combates mais recentes começaram em julho, após o colapso de uma trégua estabelecida em 2022.