clear

Criando novas perspectivas desde 2019

Governo Trump impede entrada de destacada política espanhola em Porto Rico após ativismo em flotilha para Gaza

22 de outubro de 2026, às 08h09

A ex-prefeita de Barcelona, Ada Colau, fala à imprensa após retornar a Barcelona, na Espanha, depois de ser deportada pelas autoridades israelenses em 5 de outubro de 2025. [Lorena Sopena – Anadolu Agency]

A ex-prefeita de Barcelona, Ada Colau, acusou nesta quarta-feira o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impedi-la de viajar para Porto Rico devido ao seu ativismo contra a guerra de Israel em Gaza, informou a Anadolu.

“Milei pode entrar na Espanha para falar sobre cortes, mas aqueles que denunciam o genocídio e defendem os direitos humanos não podem entrar nos Estados Unidos nem em outros territórios que o país se apropriou por meio do colonialismo”, escreveu Colau no Instagram, referindo-se à visita do presidente argentino, Javier Milei, à Espanha.

Colau, candidata da aliança de esquerda Frente Amplio nas próximas eleições gerais espanholas, criticou as políticas migratórias de Trump e o acusou de desconsiderar a soberania de Porto Rico.

“Que tipo curioso de liberdade Trump defende”, escreveu ela, acusando o presidente norte-americano de decidir o destino dos habitantes de Porto Rico e de impedir a entrada de pessoas que participaram de uma flotilha de ajuda humanitária a Gaza.

Colau prometeu continuar se opondo a líderes de direita, incluindo Trump, Milei, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o líder do partido espanhol Vox, Santiago Abascal.

“Mais cedo ou mais tarde, poremos fim a essa onda reacionária”, escreveu ela, acrescentando que espera retornar a Porto Rico.

Colau pretendia participar de um evento sobre governos locais em Porto Rico, mas teve sua autorização de viagem negada pelas autoridades norte-americanas, informou o veículo de imprensa espanhol El Diario nesta quarta-feira.

Ela disse ao jornal acreditar que a decisão teve motivação política e estava relacionada à sua participação na Flotilha Global Sumud, que tentou levar ajuda humanitária a Gaza em outubro de 2025.

“Fui a Porto Rico há dois anos e não tive nenhum problema”, afirmou.

Colau classificou como “extremamente grave” o fato de o governo Trump estar “reforçando as fronteiras de maneira arbitrária, autoritária e antidemocrática”.

Segundo o jornal, as autoridades norte-americanas inicialmente rejeitaram seu pedido por meio do Sistema Eletrônico de Autorização de Viagem (ESTA), que permite que cidadãos estrangeiros elegíveis viajem aos Estados Unidos sem obter visto.

Outros integrantes de sua delegação receberam autorização sem dificuldades.

Posteriormente, Colau solicitou uma entrevista na Embaixada dos Estados Unidos na Espanha para pedir uma revisão da decisão.

Ela afirmou que funcionários da embaixada a questionaram sobre uma possível prisão ou antecedentes criminais, além de perguntarem se ela havia viajado para Israel.

Colau disse aos funcionários que havia viajado a Israel como parte de uma missão humanitária pacífica e que havia sido detida pelas forças israelenses antes de ser enviada de volta à Espanha.

A embaixada acabou rejeitando seu pedido, alegando preocupação de que ela pretendesse imigrar para os Estados Unidos, segundo Colau relatou ao El Diario.

Ela contestou essa justificativa, sustentando que a decisão estava relacionada à sua participação na flotilha de ajuda humanitária a Gaza.

Mais de 400 ativistas, incluindo Colau, foram detidos e permaneceram sob custódia durante quatro dias. Posteriormente, ela acusou as forças israelenses de maltratar os participantes durante a detenção, alegando que eles foram submetidos a insultos, agressões físicas, privação de sono e restrições ao acesso à água e a medicamentos.