O Japão instou Israel, na terça-feira, a “congelar totalmente” as atividades de assentamentos ilegais, após Tel Aviv aprovar, no domingo, medidas destinadas a alterar o arcabouço legal e civil na Cisjordânia ocupada para fortalecer o controle israelense, informa a Anadolu.
Tóquio “está profundamente preocupada” com a alteração, pelo governo de Israel, de uma série de medidas, incluindo transações imobiliárias, na Cisjordânia, e com a aceleração implícita do desenvolvimento de assentamentos, afirmou o secretário de imprensa do Ministério das Relações Exteriores, Toshihiro Kitamura, em comunicado.
O Japão reitera seu “profundo pesar pelos contínuos atos unilaterais, incluindo as atividades de assentamento, do governo de Israel, apesar dos repetidos apelos da comunidade internacional, incluindo o Japão, e insta, mais uma vez, veementemente o governo de Israel a reverter a decisão e congelar completamente suas atividades de assentamento”, acrescentou.
Tóquio também pediu a Tel Aviv que tome “medidas apropriadas prontamente” para prevenir a violência dos colonos e expressou a “urgência de se abster de quaisquer ações que agravem as tensões, inclusive na Cisjordânia, em meio aos esforços internacionais em curso para estabilizar a situação em torno da Faixa de Gaza”.
“As atividades de assentamento violam o direito internacional e minam a viabilidade de uma solução de dois Estados. O Japão envidará todos os esforços diplomáticos para interromper as atividades de assentamento do governo israelense, trabalhando com a comunidade internacional”, concluiu o comunicado.
No domingo, o Gabinete de Segurança de Israel ordenou a revogação de uma lei que proibia a venda de terras palestinas a judeus na Cisjordânia, a abertura dos registros de propriedade de terras e a transferência da autoridade para emissão de alvarás de construção em um bloco de assentamentos em Hebron da prefeitura palestina para a administração civil israelense.
A expansão permitiria demolições e confiscos de propriedades palestinas, mesmo em áreas sob a administração civil e de segurança da Autoridade Palestina.
A Corte Internacional de Justiça declarou ilegal a ocupação israelense do território palestino em uma decisão histórica em julho de 2024 e exigiu a evacuação de todos os assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.
Israel intensificou suas operações militares na Cisjordânia desde o início da guerra contra a Faixa de Gaza em outubro de 2023, incluindo assassinatos, prisões, deslocamentos forçados e expansão de assentamentos, uma trajetória que, segundo os palestinos, visa pavimentar o caminho para a anexação formal do território ocupado.







