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Presidência do Irã divulga nomes de mortos em protestos antigovernamentais

2 de fevereiro de 2026, às 17h31

Ônibus danificados após o fim dos protestos, com prédios, mesquitas, agências bancárias e repartições fiscais em Teerã, Irã, sofrendo grandes danos em 21 de janeiro de 2026. [Fatemeh Bahrami/ Agência Anadolu]

O gabinete presidencial do Irã divulgou no domingo um relatório listando os nomes de 2.986 pessoas mortas durante os protestos antigovernamentais que eclodiram no final de 2025, de um total de 3.117 mortes registradas durante os distúrbios, segundo a Anadolu.

De acordo com o relatório, publicado pelo Gabinete da Presidência, as vítimas fatais incluíam civis e membros das forças de segurança.

As identidades de 131 pessoas ainda não foram estabelecidas e, portanto, não foram incluídas, com as autoridades afirmando que o trabalho para identificá-las está em andamento.

A presidência afirmou que o relatório foi divulgado como parte de “uma política de transparência, responsabilidade e prestação de contas implementada pelo presidente Masoud Pezeshkian”.

“Todos aqueles que perderam a vida nos eventos recentes são filhos e filhas desta terra, e nenhuma de suas famílias enlutadas deve ficar sem apoio”, diz o comunicado.

A presidência afirmou que, diferentemente da abordagem dos “inimigos históricos do Irã, que veem as vidas humanas como meros números a serviço de interesses políticos, a República Islâmica considera cada vítima não apenas um número, mas um mundo em si mesma”.

Os protestos começaram em 28 de dezembro de 2025, em decorrência da deterioração das condições econômicas e de vida, e duraram cerca de duas semanas.

As autoridades iranianas reconheceram o descontentamento público, mas acusaram os EUA e Israel de tentarem explorar a agitação por meio de sanções e pressão para incitar a instabilidade e justificar a interferência estrangeira e a mudança de regime.

As tensões entre o Irã, os EUA e Israel aumentaram drasticamente nos últimos meses. Em junho de 2025, Israel, com o apoio de Washington, lançou um ataque de 12 dias contra o Irã, que teve como alvo instalações militares e nucleares, bem como infraestrutura civil, e resultou na morte de altos comandantes e cientistas. O Irã respondeu atacando instalações militares e de inteligência israelenses com mísseis e drones, antes de os EUA anunciarem um cessar-fogo.