O ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, ressaltou nesta quarta-feira (27) que não pode haver diplomacia sob “ameaças” e acercamento militar, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerir novos ataques a Teerã.
“Nossa posição é precisamente essa: exercer diplomacia via ameaças armadas não seria útil, tampouco efetivo”, comentou Araghchi, segundo a imprensa estatal. “Se eles querem negociar, devem abandonar ameaças, demandas excessivas e pautas irracionais”.
Na terça-feira, Trump se vangloriou de enviar uma nova “armada” rumo ao Irã, ao afirmar, no entanto, que a República Islâmica estaria buscando uma solução diplomática.
Para Araghchi, as negociações, contudo, carregam princípios, a serem conduzidas “em pé de igualdade, com base no respeito e benefício mútuos”.
“Que um dos lados busque alcançar seus objetivos pela força é inaceitável”, argumentou. “Isso não é diplomacia”.
Araghchi, porém, confirmou contatos com países regionais, para evitar uma guerra: “Seus embaixadores estão em comunicação direta com nossa chancelaria. Mantenho o contato com ministros. Na noite passada, falei com o chanceler do Catar”.
O diplomata insistiu que há um amplo entendimento regional de que confrontos armados “desestabilizariam todo o Oriente Médio, especialmente dada a natureza da presença dos Estados Unidos na região”.
“Essa compreensão compartilhada existe em toda nossa região”, acrescentou. “A região é absolutamente contrária a ameaças militares e todos creem que a instabilidade levaria a maiores desafios — portanto, todos se opõem”.
Seu vice-chanceler para Assuntos Legais e Internacionais, Kazem Gharibabadi, declinou igualmente “negociações em curso”, apesar de troca de contatos. “Mesmo se sentarmos juntos, não implica em reduzirmos nosso preparo militar”.
“Nossa prioridade não é negociar com os Estados Unidos, mas sim seguirmos preparados para defender nossa terra”, insistiu Gharibabadi. “Nossa resposta a qualquer ação militar será decisiva e dolorosa, e mesmo uma ação limitada terá uma réplica dura”.
“Não buscamos a guerra — nunca buscamos —, mas sabemos bem como nos defender”, concluiu.
Tensões entre as partes escalaram no contexto de protestos contra o regime iraniano, que eclodiram do Grand Bazar na capital em 28 de dezembro. Trump, junto de Israel, explorou as manifestações, e sua subsequente repressão, para reaver ameaças.
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