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Irã nega diplomacia ‘sob ameaças’, diante de acercamento militar dos EUA

30 de janeiro de 2026, às 06h44

Ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, discursa em Teerã, em 30 de novembro de 2025 [Ahmet Serdar Eser/Agência Anadolu]

O ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, ressaltou nesta quarta-feira (27) que não pode haver diplomacia sob “ameaças” e acercamento militar, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerir novos ataques a Teerã.

“Nossa posição é precisamente essa: exercer diplomacia via ameaças armadas não seria útil, tampouco efetivo”, comentou Araghchi, segundo a imprensa estatal. “Se eles querem negociar, devem abandonar ameaças, demandas excessivas e pautas irracionais”.

Na terça-feira, Trump se vangloriou de enviar uma nova “armada” rumo ao Irã, ao afirmar, no entanto, que a República Islâmica estaria buscando uma solução diplomática.

Para Araghchi, as negociações, contudo, carregam princípios, a serem conduzidas “em pé de igualdade, com base no respeito e benefício mútuos”.

“Que um dos lados busque alcançar seus objetivos pela força é inaceitável”, argumentou. “Isso não é diplomacia”.

Araghchi, porém, confirmou contatos com países regionais, para evitar uma guerra: “Seus embaixadores estão em comunicação direta com nossa chancelaria. Mantenho o contato com ministros. Na noite passada, falei com o chanceler do Catar”.

O diplomata insistiu que há um amplo entendimento regional de que confrontos armados “desestabilizariam todo o Oriente Médio, especialmente dada a natureza da presença dos Estados Unidos na região”.

“Essa compreensão compartilhada existe em toda nossa região”, acrescentou. “A região é absolutamente contrária a ameaças militares e todos creem que a instabilidade levaria a maiores desafios — portanto, todos se opõem”.

Seu vice-chanceler para Assuntos Legais e Internacionais, Kazem Gharibabadi, declinou igualmente “negociações em curso”, apesar de troca de contatos. “Mesmo se sentarmos juntos, não implica em reduzirmos nosso preparo militar”.

“Nossa prioridade não é negociar com os Estados Unidos, mas sim seguirmos preparados para defender nossa terra”, insistiu Gharibabadi. “Nossa resposta a qualquer ação militar será decisiva e dolorosa, e mesmo uma ação limitada terá uma réplica dura”.

“Não buscamos a guerra — nunca buscamos —, mas sabemos bem como nos defender”, concluiu.

Tensões entre as partes escalaram no contexto de protestos contra o regime iraniano, que eclodiram do Grand Bazar na capital em 28 de dezembro. Trump, junto de Israel, explorou as manifestações, e sua subsequente repressão, para reaver ameaças.

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