O ex-ministro da Defesa israelense Avigdor Lieberman exigiu a abertura de uma investigação criminal contra Benjamin Netanyahu por suposta traição, acusando o primeiro-ministro de pressionar líderes militares a entrar em um confronto com o Irã para evitar uma derrota eleitoral.
Em uma carta enviada à procuradora-geral Gali Baharav-Miara, o líder do partido de direita Yisrael Beiteinu alegou que Netanyahu passou o último mês pressionando as principais autoridades de segurança a tomar medidas que poderiam provocar um “erro de cálculo” nas relações com Teerã.
“A tentativa de arrastar o Estado de Israel para uma guerra às vésperas das eleições, juntamente com a disposição de sacrificar soldados das Forças Armadas israelenses unicamente por medo de perder a eleição, constitui uma traição ao Estado, à sua segurança e aos seus soldados”, escreveu Lieberman na carta, redigida em hebraico.
A acusação veio após uma reportagem do Canal 12 informar que Netanyahu e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Eyal Zamir, entraram em conflito por causa de uma operação proposta que poderia provocar um confronto com o Irã pouco antes das eleições israelenses. Segundo relatos, o principal comandante militar resistiu à ordem de Netanyahu por temer que ela desencadeasse um confronto repentino com o Irã dois dias antes da votação de terça-feira.
Outras figuras da oposição também acusaram Netanyahu de colocar sua sobrevivência política acima da segurança pública. O ex-chefe militar Gadi Eisenkot alertou contra a transformação das Forças Armadas em instrumento da campanha eleitoral de Netanyahu, enquanto Yair Lapid alegou que o primeiro-ministro desejava uma escalada com o Irã para adiar a votação.
Netanyahu negou ter entrado em conflito com Zamir. O ministro da Defesa, Israel Katz, também rejeitou as informações, afirmando que não havia intenção de iniciar um ataque contra o Irã antes das eleições e insistindo que os líderes militares e políticos trabalhavam em plena coordenação.
Os adversários de Netanyahu em Israel agora o acusam de pressionar por uma guerra contra o Irã para atender aos próprios interesses políticos. As críticas ecoam alertas em Washington de que ele ajudou a arrastar os Estados Unidos para uma guerra com Teerã, argumento que provocou acusações de antissemitismo contra críticos, incluindo o ex-chefe de contraterrorismo dos EUA Joe Kent.
Kent renunciou ao cargo de diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos por se opor à guerra, alegando que a pressão e as ações de lobby israelenses levaram os Estados Unidos a entrar em mais um conflito com o Irã. Sua renúncia desencadeou uma disputa pública sobre a influência israelense em Washington.
Reportagens sobre as deliberações do governo americano, no entanto, documentam os esforços de Netanyahu para convencer os Estados Unidos a entrar em mais uma guerra no Oriente Médio. Uma investigação do The New York Times descreveu uma apresentação feita na Casa Branca em fevereiro, na qual Netanyahu argumentou que um ataque conjunto poderia incapacitar as Forças Armadas iranianas e criar condições para a derrubada do governo do país. Trump foi convencido, embora altos funcionários americanos tenham questionado aspectos centrais da avaliação israelense.







