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Itália convoca embaixador israelense após Ben-Gvir ser filmado zombando de detidos da flotilha de Gaza

21 de maio de 2026, às 06h07

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, de extrema-direita, foi filmado zombando de ativistas detidos da flotilha de Gaza. [Captura de tela/X@itamarbengvir]

A Itália convocou o embaixador de Israel e exigiu um pedido de desculpas depois que o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, de extrema-direita, foi filmado zombando de ativistas detidos da flotilha de Gaza, incluindo cidadãos italianos, que foram algemados, vendados e forçados a se ajoelhar.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, emitiram uma declaração conjunta condenando as imagens como “inaceitáveis” e afirmando que o tratamento dado aos manifestantes violou a dignidade humana. O governo italiano disse que está agindo “nos mais altos níveis institucionais” para garantir a libertação imediata dos cidadãos italianos envolvidos.

“As imagens do ministro israelense Ben Gvir são inaceitáveis”, dizia o comunicado. “É inadmissível que esses manifestantes, incluindo muitos cidadãos italianos, sejam submetidos a esse tratamento que viola a dignidade humana.” Roma acrescentou que Israel deve se desculpar pelo tratamento dado aos ativistas e pelo que descreveu como “total desprezo” pelos pedidos explícitos da Itália.

O Ministério das Relações Exteriores da Itália afirmou que convocaria imediatamente o embaixador israelense para solicitar esclarecimentos formais sobre o ocorrido. O protesto diplomático representa uma das intervenções públicas mais contundentes do governo Meloni desde que Israel interceptou a mais recente flotilha humanitária com destino a Gaza.

O incidente ocorreu após a interceptação, por Israel, da Flotilha Global Sumud, que havia partido do sul da Turquia numa tentativa de desafiar o bloqueio naval israelense e entregar ajuda humanitária a Gaza. Cerca de 430 ativistas de 40 países teriam sido detidos e transferidos para o porto israelense de Ashdod, antes de serem levados para a prisão de Ketziot, no Negev.

Ben-Gvir encontrou-se com os ativistas detidos após a transferência e chamou-os de “terroristas”, exigindo que fossem presos por um longo período. Vídeos mostraram os detidos algemados e ajoelhados, enquanto alguns ativistas e organizações jurídicas alegaram maus-tratos durante e após a apreensão. Israel afirmou que não foram usadas munições reais durante a operação, embora os ativistas aleguem que seus barcos foram alvejados.

Os organizadores da flotilha descreveram a apreensão como ilegal e disseram que os ativistas foram levados contra a sua vontade enquanto tentavam chegar a Gaza com suprimentos humanitários. Israel defendeu a interceptação alegando que estava cumprindo o bloqueio naval, que considera necessário para a segurança. Grupos de direitos humanos e apoiadores da flotilha argumentam que o bloqueio equivale a uma punição coletiva contra os mais de dois milhões de palestinos que vivem em Gaza.