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Parlamento iraniano considera impor taxas para “passagem segura” pelo Estreito de Ormuz

23 de março de 2026, às 08h08

O petroleiro Suezmax Shenlong, com bandeira da Libéria e carregado com petróleo bruto, está entre os primeiros navios a chegar à Índia após a crise no Oriente Médio. Ele é visto no Porto de Mumbai, na Índia, em 12 de março de 2026, após navegar pelo Estreito de Ormuz vindo do porto saudita de Ras Tanura. [İmtiyaz Shaikh – Agência Anadolu]

Com o Estreito de Ormuz praticamente bloqueado, impactando a economia mundial, o parlamento iraniano se prepara para aprovar uma lei que imporá taxas aos navios para “passagem segura” pela hidrovia, segundo a mídia iraniana.

Citando um membro da comissão econômica do parlamento, a agência de notícias semioficial ISNA informou no sábado que um projeto de lei foi elaborado para cobrar taxas de embarcações que transitam pelo estreito estratégico.

Saeed Rahmatzadeh afirmou que a imposição de taxas para a passagem marítima por estreitos é “uma prática comum em muitas rotas marítimas importantes ao redor do mundo”.

Ele acrescentou que a medida poderia ajudar a impulsionar as receitas do Irã e melhorar a segurança e os serviços marítimos ao longo da rota.

Em 2 de março, o Irã anunciou restrições à navegação no estreito, alertando que poderia alvejar navios que tentassem atravessá-lo sem coordenação, em resposta aos ataques contínuos entre Estados Unidos e Israel.

Cerca de 20 milhões de barris de petróleo passam diariamente pelo estreito, tornando-o um dos pontos de estrangulamento energético mais críticos do mundo. A atual interrupção já elevou os custos de transporte marítimo e de seguros, além de ter aumentado as preocupações econômicas globais.

Na sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã apoiou outros países para garantir o trânsito pelo estreito, acrescentando que a passagem segura poderia ser alcançada se países como o Japão coordenassem ações com o Irã.

Os ataques conjuntos entre EUA e Israel contra o Irã começaram em 28 de fevereiro, com Teerã retaliando com repetidos ataques de drones e mísseis contra Israel e países do Golfo que abrigam instalações militares americanas.