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Fluxo humanitário a Gaza cai drasticamente em meio a restrições de travessia

16 de março de 2026, às 09h22

Palestinos no campo de refugiados de Nuseirat aguardam distribuição de alimentos em Gaza, sob cerco israelense, em 13 de março de 2026 [Moiz Salhi/Agência Anadolu]

Quase a totalidade do luxo humanitário a Gaza via travessia de fronteira de Kerem Shalom (Karem Abu Salem), sob controle israelense, foi indeferida nos últimos dois dias, com queda drástica na entrega de suprimentos urgentes à população do enclave.

O alerta foi emitido pela Organização das Nações Unidas nesta sexta-feira (13), conforme reportagem da agência Anadolu.

Segundo o porta-voz Stephane Dujarric, ao citar dados do Escritório para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), sob as restrições, “pudemos apenas coletar combustível — nada mais”.

Suprimentos essenciais, reafirmou, foram proibidos de cruzar a fronteira a Gaza, embora descarregados dos caminhões e coordenados previamente com a ocupação.

Dujarric alertou que Karem Abu Salem é hoje a única travessia funcional a Gaza, dado que Rafah e Zikim permanecem fechadas desde que Israel e Estados Unidos deflagraram sua nova agressão ao Irã, em 28 de fevereiro.

O Gabinete de Comunicação do Governo em Gaza, de sua parte, corroborou a denúncia. Seu diretor-geral, Ismail al-Thawabta, observou que as travessias de fronteira operam de maneira bastante limitada, já há algumas semanas.

À Anadolu, al-Thawabta ressaltou que Gaza recebeu apenas 640 carregamentos de ajuda humanitária, dos seis mil caminhões acordados. O oficial alertou para a lacuna crescente entre a escala da crise e a oferta, com impacto a serviços básicos.

Gaza continua sujeita a ataques indiscriminados de Israel, apesar de cessar-fogo firmado junto ao grupo Hamas em outubro último. As ações da ocupação são denunciadas como genocídio no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), sediado em Haia.

Estima-se ao menos 73 mil palestinos mortos e 173 mil feridos pela campanha de Israel, desde outubro de 2023, além de dois milhões de desabrigados sob fome generalizada e destruição quase absoluta da infraestrutura civil, incluindo educação e saúde.