clear

Criando novas perspectivas desde 2019

Médicos Sem Fronteiras pedem investigação sobre assassinatos de funcionários e familiares pelo exército israelense

26 de fevereiro de 2026, às 09h46

Um profissional da Médicos Sem Fronteiras (MSF) cuida de pacientes no Hospital Nasser, enquanto pacientes enfrentam dificuldades de acesso a cuidados devido aos serviços de saúde inadequados em Khan Yunis, Gaza, em 15 de janeiro de 2026. [Abed Rahim Khatib – Agência Anadolu]

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) entrou com uma petição na Suprema Corte de Israel pedindo uma investigação sobre incidentes em que disparos do exército israelense atingiram suas instalações e veículos, matando sete funcionários e familiares. de suas famílias.

Segundo o jornal israelense Haaretz, a organização médica afirma não ter recebido qualquer indicação de que uma investigação formal tenha sido iniciada sobre os incidentes. A petição surge em meio a uma recente decisão israelense que impede a MSF de continuar suas operações em Gaza e na Cisjordânia ocupada.

Omer Shatz, advogado que representa a organização em Israel, afirmou que a ação judicial não visa processar indivíduos, mas sim garantir a proteção futura dos trabalhadores humanitários.

“A petição não tem como objetivo levar ninguém a julgamento”, disse Shatz. “O que preocupa a organização é o futuro — como proteger sua equipe, seus médicos e suas famílias.”

Ele argumentou que tal proteção exige que o Procurador-Geral Militar emita um parecer jurídico determinando se os incidentes estão em conformidade com o direito internacional humanitário, o que, por sua vez, exigiria a abertura de uma investigação formal.

Shatz acrescentou que a omissão em investigar poderia, por si só, constituir uma grave violação das leis da guerra e do direito internacional.

O advogado solicitou pela primeira vez uma investigação em julho de 2024, dirigindo-se à então Procuradora-Geral Militar, Yifat Tomer-Yerushalmi, e expondo as preocupações jurídicas relativas aos incidentes. O exército israelense não respondeu a essa solicitação nem às subsequentes.

Cinco meses depois, Shatz foi informado de que os casos haviam sido transferidos para o mecanismo interno de investigação do Estado-Maior, responsável por analisar incidentes suspeitos de violar o direito internacional.